Bom dia, boa tarde, boa noite, conforme a ocasião.
Tem repercutido bastante na imprensa e nas mídias sociais a tragédia que ocorreu no interior de São Paulo, onde uma jovem foi atirada de uma ponte para um “salto radical”, sem a corda de proteção.
Ao ver o vídeo da fatalidade, percebe-se que o ato foi acompanhado por diversas pessoas, inclusive por quem acompanhava a moça. Nos vídeos gravados também dá para perceber a corda que deveria estar amarrada nas pernas da vítima, jogada no chão, na frente de todos.
Muitas perguntas surgiram depois da tragédia: Quem errou? Quem deveria ter conferido a corda? Quem será responsabilizado?
Perguntas legítimas, mas falta uma: Como que várias pessoas podem participar de um mesmo evento e ninguém perceber aquilo que estava ali, diante de todos?
O escritor e procurador de Justiça Edilson Mougenot analisou o caso e apontou duas situações que merecem atenção.
A primeira diz respeito a um fenômeno que os psicólogos chamam de “Inattentional Blindness”, ou cegueira por desatenção. Ele explica que a mente humana, em certas circunstâncias, funciona com filtros, que priorizam ou descartam situações. O que é descartado com mais eficiência é aquilo que ninguém imaginava precisar verificar.
Naquele caso, ninguém esperava que a corda não estivesse presa. A expectativa conjunta pode ter transformado a verificação em suposição, e a suposição em catástrofe.
Há um segundo mecanismo, igualmente silencioso: “Pluralistic Ignorance”, ou ignorância pluralista. Em atividades coletivas, a responsabilidade se dilui. Cada pessoa supõe que alguém já verificou e um grupo inteiro percorre o caminho do erro, sem que ninguém o sinalize.
Por trás da tragédia pode haver um ou dois fenômenos cognitivos, que, certamente, não interferirão na investigação que está em curso.
O episódio é mais um sintoma de algo que se repete no Brasil com alguma regularidade: atividades de alto risco operadas com primitivismo técnico, sem protocolo, sem checklist, sem atenção.
Sistemas seguros são construídos para pessoas reais. A questão não é confiar menos nas pessoas, é entender melhor como elas funcionam e exigir que as estruturas à sua volta estejam à altura dessa compreensão.
Pode ser que a próxima vítima esteja, neste momento, confiando num procedimento que ninguém verificou.
Gosto
De tempos em tempos eu experimento uma coisa que eu sei que não gosto, só para ter certeza que eu não gosto mesmo. Vai que eu mudei e não sei?
Marte
Estamos acompanhando, com cada vez mais vigor, novas corridas espaciais. O homem voltou a chegar perto da Lua e fala-se em ir até Marte. Segundo consta, a ideia é transformar aquele planeta desértico em uma biosfera próspera. Isso eu duvido, pois hoje temos uma biosfera próspera por aqui e estamos, cada vez mais, transformando-a em um planeta desértico.
Gerundismo
Diante de tanto “vou estar verificando”, “vou estar retornando”, “vou estar resolvendo”, confesso que “vou estar ficando irritado”. Esse gerundismo corrente é a arte de pegar uma palavra que funciona bem e fazê-la trabalhar em equipe, sem necessidade alguma.
Sofrimento
Já sofri por muitas coisas em minha vida. A maioria delas nunca existiu. – Mark Twain
Olavio
O empresário e ex-prefeito Olavio Falchetti, que celebra hoje em família o seu aniversário. Parabéns!
Carlos Salvador
O gente boa Carlos Roberto Salvador, celebrando nova idade. Parabéns, maninho!
Poesia na escola
Na última semana, a Academia Tubaronense de Letras, em parceria com a Escola Adventista, realizou a primeira etapa do Projeto “Poesia na Escola”, com o tema “Há Poesia no Caminho”. O projeto envolve 150 estudantes do sexto ao nono ano, com declamações de escrita poética de autoria.
Frase solta, que deveria estar presa:
“Anda que o caminho abre.”