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MATHEUS MADEIRA

19/12/2025 06:00

O bolsonarismo resistirá à eleição de 2026?

A semana foi recheada de movimentos políticos em Santa Catarina: Carlos Bolsonaro transferiu seu domicílio eleitoral para Santa Catarina após renunciar ao mandato de vereador no Rio de Janeiro; Luciane Ceretta, secretária de Estado da Educação, defendeu a política de cotas que, se depender da Assembleia Legislativa, está com os dias contados; e o presidente da Alesc, Julio Garcia, deu uma coletiva crítica ao governo Jorginho Mello. É muita notícia para um comentário só, mas é possível enxergar o bolsonarismo em xeque em Santa Catarina. A extrema direita dobra a aposta ao importar o filho de Jair como candidato ao Senado, mas o que podemos chamar de liberalismo tradicional dá sinais suaves de descolamento desta pauta. A defesa das cotas de Luciane Ceretta é um balão de ensaio, claro. Jorginho vai sentir como a opinião pública reage e dá sinais de que pode tentar “despolarizar” algumas pautas que forem consideradas superiores. Na coletiva de Julio Garcia, nenhuma palavra sobre o tema – o que também pode ser encarado como um cálculo de rota –, críticas à gestão de Jorginho e o descarte da candidatura a vice na chapa do governador. Reforço para o projeto de João Rodrigues, um político de direita que parece disposto a compreender que nem tudo na gestão pública é sobre “direita x esquerda”. Em 2018 e 2022 o caminho das pedras eleitorais era se associar ao radicalismo bolsonarista. Quem titubeou foi atropelado. Há quem acredite que em 2026 haverá um ressurgimento da ponderação – em outras palavras, da política propriamente dita. O bolsonarismo resistiria?
 

Pautas superiores
A manifestação de Luciane Ceretta e a cautela de Júlio Garcia mostram o óbvio: há pautas que podem e devem ser debatidas sem que haja a necessidade de se dividir as posições entre direita e esquerda. É possível que um cidadão de visão econômica liberal admita a necessidade de uma política pública de inclusão social do povo negro, diante dos séculos de escravidão. E nem por isso ele precisa se filiar a um partido comunista.

Outras pautas
Há outros temas que podem ter o mesmo tratamento. Pautas econômicas, de maneira clara. E parece que há um grande número de líderes políticos e partidários mirando esse cenário de racionalização de debates. Inclusive porque pode ser o caminho para ter apoios no segundo turno e vecer a disputa pelo governo do estado.

Cidadania e PSB
O ex-deputado Roberto Freire reassumiu, através de decisão judicial, a presidência do Cidadania. E indicou que deve se opor à formação de uma federação com o PSB, que daria condições ao partido de superar a cláusula de barreira.

Até 2026
Nesta última coluna do ano, agradeço a todos pela leitura e pelos comentários. O estabelecimento de um espaço democrático depende dessa interação e vem mais por aí no próximo ano.

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