Quinta-feira, 13 de agosto de 2026
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MATHEUS MADEIRA

10/07/2026 06:00

Carolina não mora em Gilead

Ao fim de um cansativo dia de trabalho, Carolina percebeu que um vídeo estava em quase todos os grupos de seu WhatsApp. Tido como tutor de um pré-candidato a presidente, um cidadão que vive nos Estados Unidos afirmava que as mulheres votam “estatisticamente” mal. A fala misógina tem na sua ressalva um reforço: a exceção seria dada às que, por serem casadas, terceirizam seu direito de escolha em favor dos maridos. Carolina não chegou a se surpreender com a fala. Já ouviu coisa parecida na associação de moradores, em grupos sociais e até na família. Não é a primeira vez que tem a sensação de que há quem quisesse viver em Gilead – onde é ambientada “O Conto da Aia” (“The Handmaid’s Tale”), uma série distópica que retrata uma sociedade em que as mulheres são tratadas como meros instrumentos de reprodução da espécie humana. Carolina não mora em Gilead, mas sente que a sociedade por aqui também não está dando muita bola para os seus problemas reais: o ambiente de trabalho e as opções de estudo não parecem ter sido pensadas para quem precisa cuidar dos filhos. As notícias de violência doméstica e feminicídios nem são levadas em consideração quando o Estado exalta ser o mais seguro do Brasil. Seguro para quem? Para a Carolina é que não é. Deixem-na ao menos votar em paz.

Capital da Maior Onda
Jaguaruna é oficialmente a Capital Nacional da Maior Onda do Brasil. O título foi reconhecido pela Lei 15.461, de 2026, sancionada pelo presidente Lula após uma longa jornada. Em 2022 o projeto de lei foi apresentado pela então deputada federal Ângela Amin (PP), em reconhecimento às marcas da Laje da Jagua. A relatoria ficou a cargo de Ana Paula Lima (PT) na Câmara e de Esperidião Amin (PP) no Senado.

Turismo  
A medida pode potencializar o turismo na cidade, já que o reconhecimento tende a atrair surfistas e equipes de filmagem e reportagem a reconhecer o espaço, chamado de “Nazaré brasileira” - em alusão à praia portuguesa que tem as maiores ondas registradas do mundo.

Um governador descontrolado
O vídeo em que Jorginho Mello xinga uma liderança indígena durante uma entrevista em José Boiteux é simbólico. O governador dá seguidas demonstrações de descontrole em situações de pressão e cobrança e é impossível não projetar esse perfil em uma campanha eleitoral que promete ser justamente de pressão e cobrança para quem vai buscar a reeleição. Como serão os debates? Ele vai participar?

Diário do Sul
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