“Foi por medo de avião / que eu segurei pela primeira vez a tua mão...”
Assim começa a letra da famosa canção de Belchior. Estávamos a bordo de um avião da Gol, que tinha muito pouco espaço entre os bancos, o que gera muito desconforto. Nossos assentos eram “meio e corredor”. Já estávamos instalados quando a passageira da “janela” chegou. Era ela nada mais nada menos do que Elba Ramalho, que, como nós, ia do Rio, onde reside, para um show em Recife.
Muito embora ela viaje de avião por dezenas de vezes ao ano, quando o avião se dirigia para uma das pistas do Galeão, tirou da bolsa um vistoso rosário de pedras coloridas e percorreu-o com todo o fervor. Na decolagem, segurou-o entre as duas mãos, guardando-o tão logo o avião decolou em segurança. Depois tapou os olhos com óculos para dormir e cochilou por boa parte da viagem, após o que bateu um papo conosco, relatando seus próximos compromissos e nos dizendo ter quatro filhos: “um da barriga” e três adotados.
Certa vez, em um voo de São Luiz até uma escala em Salvador, um senhor, que estava extremamente nervoso e medroso, começou a tomar uísque até ficar totalmente embriagado. Só assim se acalmou. No desembarque, deu um trabalho medonho para a tripulação.
Por aqui, em Tubarão, temos um colega que tem verdadeiro pavor de viajar de avião. É nosso bom amigo, competente oftalmologista e muito boa praça.
Ironicamente, foi presidente do Aeroclube de Tubarão onde dava aulas sobre a técnica de pilotar... Pode?