Os imigrantes pioneiros não possuíam a nossa moeda para que pudessem comprar gêneros no comércio. Assim, viviam de trocas: cereais por animais, hortaliças por frutas e assim por diante.
Por este motivo, na sua alimentação, tinham que usar o que a terra dadivosa lhes proporcionava. Não havia como refrigerar as carnes e, por isso, a importância do sal era primordial
A alimentação básica era a polenta, que costumeiramente comiam na Itália.
Por volta das oito horas da manhã, era o “almoço”, hora em que consumiam a polenta acompanhada por radiche, fortaia e galinha assada ou ensopada.
Ao meio-dia, era o “jantar”, ocasião em que tomavam uma minestra (sopa feita de feijão e massa).
À noite, comiam o que sobrava das duas refeições anteriores.
A seguir, o receituário de alguns dos gostosos pratos que constituíam o cardápio dos imigrantes italianos.
POLENTA - O milho mais apropriado era o milho cravo, que tem bastante amido e que ainda é cultivado na região de Azambuja.
Depois de moído em atafona, entre uma pedra fixa e outra giratória, apurava-se o fubá.
A primitiva atafona, que ficava em Azambuja, tinha suas pedras importadas da França.
Aqui, quem fabricava as mós era Atílio Savi Mondo, de Rancho dos Bugres. Cada pedra podia pesar até três toneladas.
Para poder moer o milho, os colonos da região de Urussanga levavam, nas costas, sacos de cinquenta quilos, por uma picada que se estendia por vinte quilômetros, até Azambuja.
Depois, tudo de volta.
A água tinha que ter boa procedência, de preferência a cristalina água de rocha. Para um melhor resultado, usava-se um caldeirão de bronze. As famílias mais abastadas usavam uma caldeirinha de cobre.
Uma vez fervida a água, adicionava-se o sal e, em seguida, o fubá.
Então, mexia-se com colher de pau durante pelo menos uma hora, até chegar “ao ponto”.
Para acompanhar, galinha caipira ensopada, fortaia e radiche.
FORTAIA - A fortaia não foi trazida da Itália. Foi “inventada” pelos colonos daqui. É feita com ovo de galinha frito, sal a gosto e queijo novo (o ideal é que tenha no máximo até três dias de fabricação). Esta é a receita básica. Há quem adicione cebolinha frita.
MINESTRA - A minestra é uma sopa de feijão esmagado com arroz ou massa. O minestroni é uma feijoada mais líquida.
LA FOGASSA - Acima, no dialeto, em Italiano, la fulgassa, é um pão doce temperado, como o moderno panetone.
CROSTOLI - É o que hoje se conhece pelo nome de cavaco. Cueca virada em Bento Gonçalves. É feito de ovo, farinha de trigo, duas colheres de cachaça, meia xícara de água morna, uma pitada de sal e uma colher de manteiga.
Essa massa era aberta com o rolo de macarrão e frita em gordura de porco. Atualmente, usa-se gordura vegetal, podendo a manteiga ser substituída por margarina.
CASTANHOLA - Era um tipo de sonho pequeno, que era imerso em vinho tinto puro, feito com a uva Isabel, contendo açúcar, cravo e canela.
PASTA - É o nosso macarrão. Usava-se o trigo da região ou comprava-se a farinha pronta, proveniente da Argentina ou da Inglaterra.
A farinha era misturada com ovos e sal e esticada com garrafa ou rolo de macarrão. Depois de secar, a massa era enrolada e, com uma faquinha afiada, cortada em tiras. Para não grudar, usava-se farinha de milho.
Além destas gostosuras, os italianos trouxeram o nhoque (gnocchi, lá na Itália), que passou a integrar a culinária do nosso Brasil.