Vejo brasileiros alinhados à esquerda vibrando com as eleições dos Democratas nos Estados Unidos na última terça-feira. Para quem ainda não sabe, os “blues” retomaram as maiorias do Senado e da Câmara.
Por outro lado, eleitores brasileiros alinhados à direita manifestaram uma raivosa contrariedade com os rumos que o planeta estaria tomando.
Um chegou a escrever: “O ocidente emburreceu. Não é possível um troço desses, bicho. Uma fração de resposta e as pessoas estão optando pela esquerda, novamente. Que desgraça é essa, mano? Temos muito que avaliar. Muito!”
Idolatria II
O fato é que, ao que parece, independentemente do lado político, as pessoas estão um tanto impulsivas. A intensidade dos sentimentos de alegria e frustração na sua grande maioria não se sustenta se dermos atenção ao passado.
Especificamente nos Estados Unidos, geralmente, o governo que está na Casa Branca perde as eleições de meio de mandato. Foi assim com Bill Clinton, que perdeu as duas casas em 1994 e se reelegeu em 1996, e com Barack Obama, que, se vocês lembrarem, tomou uma surra histórica em 2010 e se reelegeu com sobras na eleição de 2012.
Faço esse adendo, pois o que se vê hoje no nosso país é uma histeria por políticos que, nem de longe, deveria ser normalizada. Quem idolatra tais lideranças precisa urgentemente rever os seus conceitos. Aliás, quando se torce para políticos americanos então...
Idolatria III
Quanto mais efusivamente são adorados os políticos, maior a chance de vivermos em uma sociedade autoritária e emburrecida.
Qualquer pessoa consciente – e que não esteja diretamente ligada a uma campanha eleitoral ou a um partido político – fica enojada com quem vai votar fantasiado, com quem faz vídeos chorando pela derrota do seu candidato, que sequer sabe da sua existência ou com quem estimula boicote em estabelecimentos de quem simplesmente pensa diferente. Isso, definitivamente, é de uma absoluta decadência civilizacional.
Para o bem do país, precisamos parar imediatamente de nos comportar como ignorantes de uma republiqueta qualquer e começar a cobrar resultados de quem nos governa. Seja lá o lado político que for.

Será?
O que se lê de alguns analistas que vivem o dia a dia de Brasília é que, possivelmente, teremos um grande acordão nos próximos meses (mais um).
A construção passaria pela manutenção de Davi Alcolumbre na presidência do Senado. Nesta esteira, o STF liberaria a lei da “dosimetria”, permitindo um aceno à família Bolsonaro e o escândalo do Banco Master seria varrido para sempre dos escaninhos judiciais.
Tudo isso corroborado pelas principais lideranças do PL, do PP, do União Brasil e de qualquer outra que comande algum partido envolvido nas tramoias do país.
Se conseguirem realmente avançar com esse arranjo, o parlamento – preponderantemente de direita – deve ser, por todos nós, duramente questionado.
Resultado
No último feriado, quando me deslocava da praia da Galheta para Tubarão, o fim de tarde refletia sobre o Rio da Madre proporcionando uma imagem que não lembrava de ter visto na vida.
Aquele Rio Morto deu lugar a algo novo, lindo...
Eu não canso de repetir: não há nada mais nobre do que a política. É a partir dela que se consegue mudar a vida das pessoas.