Homem está preso desde o dia 4. Dez vítimas já procuraram a polícia.
O pastor alvo de denúncias de abusos durante “orações individuais” responderá por quatro crimes: violação sexual mediante fraude, importunação sexual, estupro de vulnerável e assédio sexual.
O homem, que não teve o nome informado, está preso em Tubarão. O inquérito foi concluído pela delegada responsável pelo caso, Vivian Selig.
Pelo menos nove mulheres e um homem procuraram a delegacia da cidade para relatar os crimes, ocorridos na igreja e nas residências. Durante a investigação, o pastor foi preso preventivamente a pedido da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso da cidade (Dpcami).
O pastor tinha como hábito fazer oração em conjunto e depois pedia para a vítima ficar sozinha em uma sala isolada para “oração individual”. Era nesse momento que praticava o abuso, de acordo com a investigação. Ainda segundo a Polícia Civil, houve relatos ocorridos há 11 anos e duas das vítimas disseram ter sofrido abuso quando eram menores.
Em seu depoimento, segundo a polícia, o pastor teria dito não conseguir se recordar da maioria das vítimas. “Quando perguntamos como muitas mulheres, algumas delas sem conexão, têm relatos muito semelhantes do modus operandi, ele apenas diz: ‘assustador’’’, conta a delegada.
Acusado era visto como um “homem de Deus”
Ainda conforme a delegada Vivian, o pastor agia em momentos que as vítimas estavam fragilizadas. “Ou estavam com problemas no casamento ou tinham perdido um filho. Essas pessoas estavam abaladas emocionalmente e envolvendo a fé, que buscavam algo através dela, o pastor usava de sua posição para praticar as condutas”, diz a delegada.
Vivian diz que as mulheres questionam se aquilo realmente tinha acontecido e o motivo. “Ele era tido como um homem de Deus para essas pessoas. Elas questionam se não era um demônio que havia tomado conta daquele pastor”, completa a delegada.
Vivian acrescenta que acredita que há outras vítimas, mas que possam estar amedrontadas ou com vergonha de denunciar o crime. Durante a coletiva de imprensa, realizada na sexta-feira, dezenas de fiéis realizaram uma manifestação em frente à delegacia em defesa do pastor de Tubarão.