OAB informou ontem que acompanhará o caso do recém-nascido enterrado em quintal
A Polícia Civil de Braço do Norte continua investigando o caso da jovem suspeita de ter enterrado o filho recém-nascido no quintal da casa onde mora, no bairro Vila Nova. Ontem, a OAB do município divulgou nota informando que a comissão local da Mulher Advogada também acompanhará o caso, que chamou a atenção em todo o Estado.
Segundo a Polícia Militar, o bebê foi encontrado no último domingo, após a mulher dar entrada no Hospital Santa Teresinha por conta de sangramentos. Na instituição de saúde, ela relatou que perdeu o bebê enquanto tomava banho e que havia jogado partes do feto no lixo, na quinta-feira passada.
Ainda segundo a polícia, ela já tinha estado no mesmo hospital, há cerca de dez dias, quando realizou um exame de ultrassom que confirmou que a jovem estava grávida de 30 semanas. Desconfiando da versão dada por ela, o hospital acionou a PM e o Conselho Tutelar.
A Polícia Militar foi até a casa onde a mulher mora com a tia. Em conversa com o proprietário da residência, ele informou que na quinta a jovem pediu uma pá emprestada, pois queria construir um canteiro de flores. Outra vizinha relatou aos policiais que achou ter ouvido o choro de uma criança, vindo do banheiro da casa, no mesmo dia.
Ao mexer no canteiro, os policiais encontraram o corpo do bebê dentro de uma sacola plástica. Em conversa por telefone com o DS, o delegado Lucas Rezende, que atendeu o caso na noite de domingo, explicou que a investigação e os exames periciais devem apontar as circunstâncias da morte da criança.
“Somente depois será possível saber como a criança morreu, se ela nasceu viva, se houve a participação de mais pessoas e se teve crime, que pode ser de aborto, homicídio, infanticídio e ocultação de cadáver”, disse o delegado. Até a tarde de ontem, a jovem continuava no hospital.
OAB acompanhará o caso
A 32ª subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Braço do Norte divulgou ontem uma nota informando que a comissão local da Mulher Advogada vai acompanhar a apuração do caso, “a qual contará com o total apoio da Comissão Seccional do Direito da Vítima, da Criança e do Adolescente de Direito Penal”. Segundo a presidente da comissão, a advogada Marta Neckel, será oferecida orientação jurídica aos envolvidos em busca de “uma sociedade mais digna, justa e livre de todas as formas de violência”. “Queremos que o caso seja resolvido na Justiça, sem prejulgamentos, mas também precisamos entender por que esse tipo de violência envolvendo mulheres vem acontecendo”, explica Marta.
Guilherme Corrêa
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