A semana começou com um vídeo gravado pelo prefeito afastado de Tubarão, Joares Ponticelli, circulando nas redes sociais. Ele é atribuído a um trecho do depoimento que ele teria prestado ao Ministério Público e que faz parte do processo.
Preso desde 14 de fevereiro na Operação Mensageiro, no vídeo Joares faz um desabafo relacionado ao julgamento e à condenação que sofre pelas redes sociais e quanto ao seu sofrimento, de sua família e de seus amigos. Ele também pede que, dentro do possível, o processo tenha mais celeridade.
“Que isso dure o menor espaço de tempo possível, para eu ter a oportunidade de tentar restabelecer o julgamento com uma condenação que já está feita nas redes sociais. Minha vida virou um inferno. A minha, da minha mãe, do meu filho, dos meus amigos. A rede social é muito cruel. A execração pública está em curso. É um processo muito dolorido”, pontua.
“Eu estou com a minha consciência muito tranquila. Isso é só um desabafo. Está sendo um período de sofrimento. O que eu peço é que isso ande com a celeridade que possa andar, para eu, no menor espaço de tempo possível, poder resgatar a minha honra, da minha família, dos meus amigos e da minha história política. Destes 27 anos que eu construí a duras penas e que estou vendo escoar pelo ralo”, ressalta no vídeo.
“Que possa andar rápido e que eu tenha a oportunidade da ampla defesa, porque eu já estou preso e agora que estou tendo a primeira oportunidade de falar. Preciso restabelecer a minha dignidade e dos que me seguem”, completa.
Em abril, Joares virou réu no processo de investigação da Operação Mensageiro, que apura suposto esquema de propina na licitação de lixo em cidades de Santa Catarina. Além dele, seu vice, Caio Tokarski, também segue preso. Outros três prefeitos da região também continuam presos.
Na região, quatro prefeitos estão presos
Já foram quatro fases da Operação Mensageiro, entre dezembro e final de abril, e ao todo 15 prefeitos foram presos no Estado. Na região, além de Joares Ponticelli (PP), preso em 14 de fevereiro, na terceira fase da operação, já foram presos os prefeitos de Pescaria Brava, Deyvisonn Souza (MDB); de Capivari de Baixo, Vicente Corrêa Costa (PL); e de Imaruí, Patrick Corrêa (Republicanos).
A Operação Mensageiro apura a suspeita de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro no setor de coleta e destinação de lixo. Ao todo, até agora, já foram cumpridos 196 mandados de busca e apreensão e 40 mandados de prisão preventiva.
No fim de maio, o prefeito afastado de Tubarão, Joares Ponticelli, teve o pedido de liberdade negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, assinado pela ministra Cármen Lúcia, o advogado Nilton João de Macedo Machado argumenta que há excessividade e ilegalidade na manutenção da prisão preventiva do acusado, sendo que “não houve demonstração mínima de sua efetiva participação no suposto esquema criminoso”.
A ministra Cármen Lúcia entendeu que os elementos apresentados não autorizavam o prosseguimento do habeas corpus.