Enquanto Santa Catarina comemora redução no tabagismo, uso de cigarros eletrônicos registra aumento no estado
O avanço dos cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens tem acendido um alerta entre profissionais de saúde em Santa Catarina. Apesar da redução do número de fumantes adultos no estado, especialistas demonstram preocupação com a popularização dos chamados vapes e os riscos associados ao consumo precoce de nicotina.
Um levantamento do projeto de extensão multidisciplinar Ergotox/Ufsc, realizado em cinco escolas públicas de Florianópolis, apontou que 27,4% dos estudantes já experimentaram cigarros eletrônicos.
O dado chama atenção porque menos da metade relatou ter usado cigarros convencionais, indicando que muitos jovens estão iniciando o consumo de nicotina diretamente pelos dispositivos eletrônicos.
Curiosidade, sabores atrativos e influência social aparecem entre os principais fatores que estimulam o uso. O cenário preocupa ainda mais devido à composição dos produtos. Estudos identificaram milhares de substâncias químicas nos cigarros eletrônicos e, em apreensões realizadas em Santa Catarina, já foi constatada a presença de anfetamina.
“O tabagismo segue como importante fator de risco para doenças cardiovasculares, respiratórias e vários tipos de câncer. Com o avanço dos cigarros eletrônicos, reforçar ações de prevenção e conscientização é ainda mais urgente”, alerta Adriana Elias, enfermeira e coordenadora estadual do Programa de Controle do Tabagismo.
Entre adolescentes avaliados em ações desenvolvidas nas escolas, profissionais já identificaram sinais de dependência e o desejo de interromper o uso dos dispositivos. As iniciativas incluem atividades educativas, orientações sobre os riscos à saúde e encaminhamento para tratamento quando necessário.
Queda do tabagismo
Enquanto o uso dos cigarros eletrônicos preocupa, Santa Catarina registrou uma redução de 38,7% no número de fumantes adultos no último ano, acompanhando a tendência nacional de queda do tabagismo. Em 2025, mais de 21 mil pessoas procuraram atendimento para parar de fumar no estado. Destas, 17.796 iniciaram tratamento e 7.523 já conseguiram abandonar o cigarro.
No ano anterior, cerca de 14,4 mil pessoas buscaram auxílio, com 5,4 mil alcançando a abstinência.
Atualmente, 84% dos municípios catarinenses oferecem grupos de apoio e tratamento para fumantes nas Unidades Básicas de Saúde. A Secretaria orienta a procurar as UBS nos municípios.