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Três mulheres em meio a 200 homens

07/03/2020 06:00
Tatiana Dornelles Fotografia/DS

As mulheres da atualidade podem ser o que desejarem. Prova disso são as histórias  das três mulheres que trabalham, diariamente, com cerca de 200 homens. E mais, em um ambiente até pouco tempo considerado totalmente masculino.


Kelly Cristine Lehmann Vianna, Fernanda Lizlaine Pereira e Ana Carolina Alexandre Corrêa escolheram seguir a carreira militar. As três atuam na 3ª Companhia de Infantaria Motorizada, em Tubarão, e para chegar onde hoje estão passaram por treinamento militar junto com os rapazes.

Kelly, que tem 36 anos e é dentista do quartel, conta que escolheu a carreira devido ao marido, que também atuava como dentista no serviço militar. “Comecei a ter convivência maior com a vida militar, achava interessante e diferente do dia a dia fechado em consultório. Então, decidi seguir”.


Segundo ela, o respeito dos homens com as três mulheres é gigante. “O convívio é tranquilo, mesmo diante de 200 militares homens. O respeito é bem maior por parte deles”, conta Kelly.


A dentista, que entrou por processo seletivo, passou pelo estágio de adaptação dentro do Exército, com treinamentos militares. “A gente passa pela adaptação para ser introduzida na vida militar. Por mais que entre como dentista, tenho que ser primeiro militar. Então, tenho que ter treinamento com armamento, de campo e nessa fase não tem diferença se é homem ou mulher, é tudo igual. São pelo menos 45 dias em treino. E, sim, as mulheres dão conta”, relata.


Já a sargento de saúde Fernanda, 30 anos, diz que a escolha de seguir a carreira militar era sonho antigo. Ela também fez o processo seletivo e as provas, em 2017, e hoje está na ativa. Quanto a trabalhar com a maioria de homens, ela diz que a responsabilidade é grande.


“A gente tem que se impor, porque a sociedade ainda é muito masculina. Enfrentamos dificuldades, claro, mas tudo tem seu lado feminino de lidar. A gente tem campo, treino. É difícil? Sim, até pela nossa capacidade física que às vezes é limitada, mas dá tudo certo no final”, explica. Segundo Fernanda, as mulheres precisam ir atrás do que querem. “Deem sempre o melhor, porque vale a pena”, ressalta a sargento.


A auxiliar de seção de saúde Ana Carolina Alexandre Corrêa, de 24 anos, prestou a prova do concurso da ESA, fez a escola de formação no Rio de Janeiro e se apresentou em Tubarão no início do ano passado.


Por trabalhar no meio masculino, ela diz que sempre a trataram de forma igual. “Aqui tiro serviço de 24h na guarda como eles. Só eu de mulher na guarda, e não tem nenhum problema”.

O treinamento militar, diz Ana Carolina, foi puxado. “Foi a parte mais difícil, principalmente carregar mochila, fuzil. A gente sente bem o peso, até porque são equipamentos feitos para homens. Eles já acham pesado, a gente acha um pouco mais. Além disso, tem ainda os exercícios físicos. Às vezes, tem um certo preconceito da sociedade por ser um universo masculino. Mas é uma carreira boa de seguir e sempre incentivo outras mulheres”, ressalta.


Data especial

O Dia Internacional da Mulher é comemorado neste domingo. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas na década de 1970. O dia 8 de março simboliza a luta histórica das mulheres para terem condições e direitos equiparadas às dos homens.

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Tatiana Dornelles

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