Para uma mãe, a dor de perder um filho é imensurável, ainda mais quando a causa é o suicídio. Jaqueline Vieira Lúcio, moradora de Jaguaruna, ainda passa por essa dor irreparável, e, mesmo assim, tenta orientar outras mães para os indícios da depressão, que podem levar ao fim trágico.
Jaqueline perdeu o filho de 22 anos, Carlos Eduardo Lúcio, em junho deste ano. Três ou quatro dias antes do suicídio, o jovem deu indícios para a mãe, que não levou a sério. “Ele falou que estava com abuso da vida, que queria morrer. Isso ocorreu alguns dias antes de cometer o suicídio. Mas desde outubro do ano passado ele ficava trancado no quarto, saía apenas para trabalhar”, conta.
Segundo a mãe, o filho lutava contra o vício das drogas. “Aos 14 anos, ele teve um surto devido ao uso de entorpecentes. Como era menor, não conseguimos interná-lo, mas fizemos o tratamento em casa e consultas periódicas em médico. Quando fez 18, foi trabalhar e tivemos que liberá-lo para sair. Entre idas e vindas, voltou a usar drogas, parou, ficou seis meses numa clínica. Aí, no ano passado, estava trabalhando normalmente, gostando, mas chegava em casa e ficava trancado no quarto”, diz.
De outubro do ano passado a junho deste ano, relata a mãe, ele ficava somente no quarto ao chegar do trabalho. “Como ele sempre se envolveu com drogas, achamos que era por estar devendo, algo assim. Nos dias que antecederam a morte, ele deu indicações. Mas desprezei, não ouvi, achei que era chantagem, e me arrependo. Por não ter conversado, encontrei meu filho pendurado”, ressalta.
Jaqueline orienta outras mães a prestarem atenção no comportamento dos filhos. “Prestem atenção em seus filhos, conversem com eles e escutem mais, porque depois de feito só fica o arrependimento. E a pior dor é a dor da saudade”, acrescenta.
Este mês, o Setembro Amarelo, é voltado à prevenção ao suicídio. Inclusive, a data oficial foi ontem. Durante todo o mês, entidades e órgãos públicos debatem e orientam a população sobre o tema.
CVV
O Centro de Valorização da Vida (CVV) está em campanha este mês, no Setembro Amarelo. Os voluntários do CVV prestam um serviço de apoio emocional e prevenção ao suicídio, por meio de uma escuta acolhedora, através do telefone 188 (gratuito, nacional, e que funciona 24h por dia, todos os dias). Para saber mais sobre o trabalho, é só entrar em www.cvv.org.br.
Tatiana Dornelles