Com o aumento do número de casos confirmados e a entrada de Armazém na lista de municípios, a região somou até o momento 192 casos de Covid.
Braço do Norte é o município que tem mais registros da doença, e passou de 73 casos confirmados na quarta-feira para 80 no dia seguinte. Tubarão vem em segundo lugar, com 48 confirmações, três a mais que o dia anterior. São Ludgero, Imbituba, Laguna, Orleans e Treze de Maio também registraram um caso a mais em cada município.
Em Tubarão, há 11 pacientes internados nos hospitais, dos quais cinco encontram-se em enfermaria – quatro adultos e uma criança –, três casos confirmados (dois de Tubarão e um de Capivari de Baixo), e dois à espera de exames (um de Tubarão e a criança, de Criciúma). Nas UTIs, são seis os pacientes internados, dos quais três são casos confirmados – um de Tubarão, um de Braço do Norte e um de Pescaria Brava –, e os outros três aguardam os resultados dos exames, dois de Tubarão e um de Braço do Norte. Um bebê está internado na UTI neonatal da Socimed com suspeita da doença – ainda não confirmada. O hospital não passou mais detalhes a respeito desta internação.
Primeiro caso em sistema prisional
A Secretaria de Administração Prisional e Socioeducativa (SAP) informou nessa quinta-feira que foi confirmado o primeiro caso de Covid-19 em um interno do sistema prisional. O preso ingressou na unidade de Imbituba no último dia 10 de abril, e foi mantido em isolamento até a confirmação do diagnóstico. Ele segue internado no hospital recebendo acompanhamento médico.
Avaliação é de que ações estão bem encaminhadas
O diretor-presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Daisson Trevisol, participou nessa quinta-feira de uma conversa em videoconferência com especialistas em saúde que teve como convidado o agora ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em que foi feita uma avaliação do atual cenário, as ações realizadas e as perspectivas futuras quanto à pandemia do coronavírus. Segundo Daisson, as ações estão bem encaminhadas.
Para o presidente da FMS de Tubarão, que faz parte de um fórum de especialistas em saúde do Brasil – composto por aproximadamente 220 profissionais –, a avaliação é de que as ações estão bem encaminhadas, porém ainda há uma grande dificuldade em relação à questão financeira do país. “Claro que ainda tem muito a ser feito. Lamentamos a saída neste momento de Luiz Henrique Mandetta do ministério, mas o novo ministro, Nelson Teich, também integra nosso fórum. É uma pessoa boa que acredito que vai dar continuidade e fazer um bom trabalho com relação à saúde pensando nesta preocupação relacionada à pandemia especificamente”, avalia.
Sobre a situação em Tubarão, o presidente da FMS acredita que as ações realizadas até o momento foram boas para dar uma freada na transmissão. “Este isolamento que aconteceu ajudou bastante, mas ainda estamos preocupados, pois estamos muito no início, o vírus não circulou tanto por aqui, possivelmente pela questão do próprio isolamento , mas quem sabe mais na frente vamos ter o pico relacionado a isto. Espero estar errado”, comenta Daisson. “Acredito que nem iniciamos a curva ascendente maior. Ainda estamos numa ascendência leve”, completa.
Para ele, o que se tem hoje ainda são focos específicos locais. “Por termos, no Brasil, freado antecipadamente, temos focos muito específicos. Se liberar mais, vamos espalhar mais. Espero que estejamos prontos para isso. Aqui em Tubarão estamos preparados, porém preocupa um pouco a questão das UTIs”, pontua.
Alerta à população
A Iniciativa FIS (Fórum Inovação Saúde), formada por lideranças em saúde, entre elas Daisson Trevisol, alerta, em carta enviada ao Ministério da Saúde, que as medidas de isolamento social fortemente recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas autoridades sanitárias do Brasil vêm sendo adotadas pela quase totalidade dos países do mundo, “e são as únicas atitudes, até o momento, capazes de conter a evolução da doença e, consequentemente, reduzir o número de mortes. A ciência, a tecnologia, os profissionais bem preparados, a razão e o bom senso continuam sendo as armas mais eficazes para enfrentarmos as incertezas. Todo o mundo científico está debatendo sobre a melhor forma de reduzir o impacto econômico e o caos social que o confinamento total, por prazo indeterminado, tem gerado e qual o tempo mínimo que deve ser mantido, a fim de que os sistemas de saúde das cidades estejam preparados para o melhor enfrentamento dessa pandemia. A interrupção abrupta do confinamento atual, sem que os sistemas de saúde estejam preparados, coloca em risco a vida de milhares de brasileiros”, diz a carta.