O número de casos pela Covid-19 em muitos estados brasileiros só aumenta. Paralelo ao cenário atual, médicos de diferentes especialidades registram redução significativa de pacientes em consultas. A principal causa dessa baixa procura é provavelmente o medo da contaminação pelo coronavírus, que muitos acreditam ser mais perigoso do que outras doenças, o que em alguns casos não corresponde com a realidade.
“O risco de ocorrer um infarto em casa e morrer por falta de socorro médico é maior do que pegar o Sars-Cov-2 em uma unidade de saúde”, alerta o especialista em medicina de família com atuação em geriatria e medicina do trabalho do Complexo Médico Pró-Vida, Lawrence de Luca Dias.
O clínico afirma ainda que ele e seus colegas de profissão de diferentes estabelecimentos de saúde, da região e até mesmo do país, notam uma significativa diminuição nos atendimentos tanto emergenciais quanto os de rotina. Os médicos também recomendam, em caso de dúvidas, a realização de consultas. “É comum sentirmos normalmente algumas dores em determinadas partes do corpo, que não devem ser preocupantes, mas certos tipos de dores podem ser um sinal de sérios problemas de saúde. Procurar um médico somente quando for grave é muito perigoso”, afirma Lawrence.
Pacientes oncológicos
O cirurgião oncológico do Complexo Pró-Vida, Cassiano Coral Accordi, destaca também ocorrer muitas ausências em consultas de pacientes em tratamento de câncer. Índice que já atinge, em algumas regiões, até 70% de redução de atendimentos, tanto na realização de diagnósticos quanto em pacientes já diagnosticados. Situação que pode levar a comprometer o tratamento e até mesmo a cura. “O câncer continua a ser uma doença perigosa mesmo em tempos de Covid-19 e, pelo contrário, durante essa pandemia é muito importante o paciente continuar e estar com os sintomas controlados. É uma doença que não pode esperar. A interrupção de tratamentos, cirurgias, quimioterapias ou radioterapias pode acarretar aumento de tamanho do tumor e evolução da doença. Além disso, casos mais leves podem levar à maior complexidade”, completa.