Tubarão está em situação de emergência por conta da estiagem que pode comprometer o abastecimento d’água. O decreto foi assinado pelo prefeito Joares Ponticelli na tarde de ontem, e permite uma série de iniciativas por um período de até 180 dias.
Sem chuvas significativas desde fevereiro (0,6mm em fevereiro, 78mm em março e 33mm até agora em abril), a Cidade Azul começa a sentir os efeitos da estiagem. No último fim de semana, a Tubarão Saneamento, responsável pelo tratamento e distribuição da água, comunicou à prefeitura a ocorrência do fenômeno de salinização no rio Tubarão por conta dos efeitos da maré. O percentual de água salobra (doce com salgada) avançando próximo ao ponto de captação pode afetar o processo de tratamento da água no município.
Hoje, a Tubarão Saneamento mantém os mesmos volumes de captação e com parâmetros de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde. Para manter essa condição em meio à estiagem, a ideia é criar uma barreira artificial no leito do rio, para evitar que a água salobra se aproxime do trecho de captação da água doce.
O aterro hidráulico para a construção da passarela de concreto em frente à Unisul, que está montado entre a margem esquerda até quase o meio do rio, chegou a ser cogitado para essa função, mas a ideia foi descartada para evitar possíveis riscos à obra, que está em fase de conclusão.
Assim, a Tubarão Saneamento encomendou um levantamento para encontrar um local mais adequado em uma área mais rasa rio acima. Durante a tarde, o prefeito Joares Ponticelli e o diretor da companhia, Marcelo Matos, estiveram às margens do rio para discutir a situação.
Todas as ações dos órgãos municipais, segundo o decreto de emergência, passam a ser gerenciadas pela Coordenadoria de Proteção de Defesa Civil. Para executar o prolongamento do aterro e concluir a barragem natural, é preciso uma licença do Instituto de Meio Ambiente (IMA) e também da Capitania dos Portos, já que o rio Tubarão é classificado como de águas navegáveis.
Consumo racional
O prefeito Joares Ponticelli ressaltou que o momento exige um consumo racional por parte da população. “Não temos previsões animadoras de chuvas para os próximos dois meses, então peço a todos que evitem o desperdício. Só não vamos economizar na higienização das mãos, para manter a precaução quanto à pandemia do novo coronavírus. Além disso, vamos adotar o uso racional enquanto persistir essa estiagem”, destacou.