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Preço da carne dispara com reajuste de até 40%

Exportação para a China reduziu estoque no Estado, gerando aumento aos consumidores

29/11/2019 06:00

O consumidor tem encontrado o quilo da carne bovina até 40% mais caro nos supermercados e açougues nos últimos dias. A exportação para a China, reduzindo os estoques no Estado, está fazendo com que os valores cheguem diretamente ao bolso do consumidor.


O aumento tem sido notado em todo o Brasil, e ganhou mais força nos últimos dias, com altas históricas no preço da carne bovina. Em Santa Catarina, conforme o levantamento de uma rede de supermercados, o quilo da carne vermelha está, em média, 40% mais caro do que em novembro do ano passado. Somente de outubro para novembro o salto foi de 30%.


Em Tubarão, a situação também não está diferente. O quilo do patinho, por exemplo, pode ser encontrado por preços que variam entre R$ 19,99, R$ 27,50 até R$ 33,40 nos supermercados. O coxão mole tem variações que podem chegar a até R$ 33,99. Já a alcatra varia de supermercado para supermercado, com preços que vão de R$ 36,59 até R$ 39,99. Em todos eles, na prática, o aumento nos preços variou de 20% a 40%, dependendo da carne.


O  aumento já tem feito o consumidor ir em busca de outras proteínas – como a suína e a de frango. O problema é que, com este aumento na demanda, também registraram um acréscimo no preço de venda.


De acordo com o presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), Paulo César Lopes, a explicação passa especialmente por um ponto: a carne que antes era vendida para o mercado interno de Santa Catarina agora está indo para a China. O país asiático convive há meses com uma epidemia de peste suína que forçou os chineses a substituírem a carne de porco pela bovina – que é importada principalmente do Brasil.


“A situação tem sido muito discutida, e o próprio governo brasileiro já falou até em importar carne para equilibrar o mercado. Os chineses estão substituindo a carne de porco pela bovina. O governo chinês prometeu ao povo de lá que não vai faltar carne até fevereiro, quando eles comemoram o Ano Novo. Eu estive na China alguns meses atrás e vi isso”, conta.

 

Situação sem data para mudar

Paulo explica ainda que a princípio o impacto é somente no preço, sem risco de falta de carne bovina no mercado catarinense – mesmo com a demanda maior no fim do ano. Porém, ele não segue otimista quanto a uma queda nos preços da carne em curto prazo. “Acredito que vá demorar muito para a situação se normalizar. É importante, no entanto, que as pessoas percebam que os mercados são apenas repassadores de preços. Não somos nós quem estabelecemos os valores e tentamos sempre minimizar o impacto para o consumidor final”, pontua.

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