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Perspectivas para o Sul seguir crescendo

Após duplicação da 101 e crescimento do porto de Imbituba, ampliação do aeroporto de Jaguaruna e ligação da linha férrea são essenciais

24/10/2019 06:00

A busca pelo desenvolvimento e por obras para o Sul de Santa Catarina é uma batalha permanente. Entidades de classe, instituições de ensino e órgãos públicos e privados atuam, incansavelmente, na luta para o crescimento da região.


Segundo o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, há por todo o Estado uma série de obras não concluídas e outras nunca atendidas pelo Poder Público. “Diariamente, recebo o apelo das pessoas por obras não concluídas, e ao mesmo tempo novas demandas. Posso garantir que nenhuma região foi ou será esquecida. Estamos trabalhando com foco em todas as regiões de Santa Catarina”, explica.


“A marca que pretendo deixar para a Amurel é a mesma que pretendemos deixar para as demais regiões, como Amrec e Amesc, que é a do respeito e da responsabilidade com a coisa pública, da total transparência nas ações, da promoção do desenvolvimento e da oferta de serviços eficientes para todas as regiões”, pontua o governador.


Já o presidente da Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), Joares Ponticelli, diz que a Fecam quer intermediar com o Estado as reivindicações dos municípios em relação ao novo governo. “Pensamos em fortalecer as associações de municípios, que já conhecem as pautas de cada região, para facilitar essa relação e buscar ainda mais o desenvolvimento”, explica Joares.


Sobre as reivindicações, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, diz que há anos o Sul catarinense é penalizado pela falta de infraestrutura. “A BR-101, por exemplo, até hoje não teve a duplicação totalmente concluída por conta de um impasse na questão indígena que impede a construção do túnel do Morro dos Cavalos. Inclusive, discutimos esse assunto com o Ministério da Justiça, no início de outubro. Em março, estivemos na região por uma semana, visitamos empresas de diversos setores, conversamos com empresários e percebemos que há um potencial enorme de crescimento, mas essa expansão demanda condições adequadas de infraestrutura”, detalha o presidente.


Pensar no macrorregional é pontapé para ações estarem em pauta, analisam autoridades

O presidente da Amurel, Roberto Kuerten Marcelino, avalia que o Sul de Santa Catarina, por sua importância no desenvolvimento e economia do Estado, tem diversas demandas a serem atendidas. Para ele, muito já foi feito, houve um avanço nos últimos anos, mas é preciso ir além. “Para isso, pensando no macro, temos o contorno viário de Florianópolis, a recuperação da pavimentação da Serra do Rio do Rastro, a melhoria das rodovias estaduais, tudo isso para que o trânsito flua e o que é produzido nas nossas cidades tenha escoamento”, reflete.


Segundo ele, no que se refere aos municípios da Amurel, as prioridades são oito: a imediata revitalização da SC-108 entre Braço do Norte e Rio Fortuna; a pavimentação da SC-108 que liga Santa Rosa de Lima a Anitápolis; a pavimentação da SC-435 entre São Martinho e São Bonifácio; a ampliação da pista, para carga e descarga, do Aeroporto Regional Humberto Ghizzo Bortoluzzi; a conclusão das obras do hospital regional de Braço do Norte; o anel viário de Braço do Norte; a pavimentação da estrada que liga São Martinho a Imaruí (SC-436); e a pavimentação de Imaruí até Pescaria Brava (SC-437).


Em concordância, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), Julio Garcia, ressalta que as reivindicações para o Sul ganham força com a união de todos os envolvidos. “Precisamos trabalhar em conjunto. E já estamos fazendo isso, felizmente. Acredito que, dentre as pautas principais, temos: a melhoria no Porto de Imbituba, melhorias nas serras do Faxinal, Corvo Branco e Rocinha, por exemplo. São obras importantes que vão sair do papel com a união de esforços”, analisa Julio.

 

Demandas são discutidas em conjunto

Para que as reivindicações para o Sul de Santa Catarina sejam atendidas, as demandas estão em discussão. Conforme o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Tubarão, Harrison Marcon Cachoeira, a região obteve muitos avanços nos últimos anos, mas ainda são necessárias fortes ações para que a economia seja fortalecida, e isso, segundo ele, passa por obras de infraestrutura.


Dentre as ações coletivas em favor da região estão a continuação das obras na BR-101; o terminal de cargas no Aeroporto Humberto Bortoluzzi; a expansão da malha ferroviária; e o porto de Imbituba; dentre outras. “Isso dará um novo impulso na economia da região”, avalia Harrison.


Para a região Carbonífera, segundo o presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Moacir Dagostin, entre os assuntos da pauta devem estar a implantação do Centro de Inovação em Criciúma, o Plano de Desenvolvimento Regional, e a atração de novos investimentos, e, ainda, novas rotas para o Porto de Imbituba. “Para que possamos crescer e caminhar na mesma direção, essa união é fundamental. Temos um grande potencial, economia diversificada, e precisamos valorizar o que temos”, destaca.


Contribuindo para que as demandas do Sul saiam do papel, o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, destaca que é preciso o fortalecimento da rodovia que integra os municípios do Sul. “A ferrovia e o aeroporto são pautas muito importantes que vão seguir nesse desenvolvimento. Não podemos ser tratados como catarinenses de segundo escalão. Já sofremos muito. A economia sofreu muito. Criciúma é grande, e as demais cidades ao seu redor também. Se Tubarão e Araranguá vão bem, nós também crescemos juntos. Não vimemos numa ilha. Estamos ligados”, completa o prefeito.

 

Metas para expansão no Sul de Santa Catarina são definidas

A lista de prioridades que está em pauta para a região é extensa. No entanto, algumas têm urgência para serem debatidas e colocadas em prática. Recentemente, deputados estaduais, empresários e demais lideranças reuniram-se para discutir a inclusão de Santa Catarina na expansão nacional da malha ferroviária. O encaminhamento tirado no encontro foi buscar apoio em Brasília, junto ao Fórum Parlamentar Catarinense, solicitando que a demanda entre na pauta de prioridades do Estado defendida pelos parlamentares.


Isso porque o governo federal iniciou um programa para construir novos trechos e melhorar a malha já existente, através, por exemplo, da renovação das concessões. Entretanto, o Estado não está incluído, mesmo tendo estacionado o projeto inicialmente concebido em 2002, que previa a implantação de uma ferrovia ligando o Oeste ao Leste (da integração), e outra entre Imbituba e Araquari (litorânea, do Sul ao Norte).


Atualmente, o Sul conta apenas com as linhas da Ferrovia Tereza Cristina (FTC), que vão até Imbituba. Para o presidente da Associação Empresarial de Tubarão (Acit), Edson Martins Antônio, é preciso criar alternativas, como o modal ferroviário. Esse é o primeiro movimento. Vamos discutir até que aconteça. É a oportunidade de nos unirmos para impulsionar o Executivo a também fazer pressão sobre o governo federal”, pontua.


Para o diretor-presidente da Ferrovia Tereza Cristina (FTC), Benony Schmitz Filho, o Estado precisa tomar uma decisão estratégica para tornar-se mais competitivo. “Se decidirmos que ferrovias são importantes, precisamos de estudos e projetos para apresentar aos investidores. E, hoje, Santa Catarina não tem projetos. Precisamos que o governo federal termine o projeto iniciado há 17 anos. Isso tem que ir para a pauta”, avalia o diretor-presidente.


Segundo dados da Fiesc, 86% das obras do Estado estão com a conclusão comprometida

Segundo as autoridades ouvidas pela reportagem do Diário do Sul, se for pontuar o que falta de infraestrutura para o Sul do Estado, a lista será extensa. Dados da Fiesc demonstram que cerca de 86% das obras estão com o prazo expirado ou a conclusão comprometida. Isso representa 3.584 quilômetros de rodovias federais inacabadas e 7.194 quilômetros de rodovias estaduais também sem estarem concluídas.


O número de frentes de trabalho ainda com prazo expirado ou com a conclusão comprometida representa 1.205 quilômetros de ferrovias. Sobre a importância das pautas, o reitor da Unisul, Mauri Luiz Heerdt, aponta que a possível implantação da ferrovia translitorânea, interligando os principais portos, é um dos grandes desafios que pode mudar a história do Sul. “Vale sublinhar, ainda, que, apenas no que se refere aos portos catarinenses, juntos, eles movimentam por ano algo em torno de 18 milhões de toneladas, e representam quase 20% da movimentação de contêineres em todo o Brasil”, ressalta Mauri.

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