No fim da tarde daquele domingo, a chuva voltou com a mesma intensidade da noite anterior
No dia 24 de março de 1974, os bairros de Tubarão continuavam alagados, mas o nível do rio Tubarão estava estabilizado. No fim da tarde daquele domingo, a chuva voltou com a mesma intensidade da noite anterior. Durante a noite, até mesmo os moradores das áreas pouco inundadas sentiram repentinamente a água invadir as casas e a correnteza se tornar mais forte.
Há relatos de pessoas que dormiram e acordaram com os pés na água. Muitos subiram para os telhados das residências, e outros que foram levados junto com as casas. A partir das 21h, a energia elétrica estava interrompida e os telefones encontravam-se mudos. Ao clarear da segunda-feira (25), Tubarão estava isolada e sem comunicação, e as chuvas permaneciam de forma intensa.
Um único helicóptero fazia os trabalhos de resgate, sobrevoando as casas cujo os telhados ainda apareciam acima da água, onde pessoas agitavam panos coloridos à espera de serem salvas.
O prefeito na época, Irmoto Feuerschuette, que atuou incansavelmente durante e depois da tragédia, diz que muito se fala que foram 199 mortos na região, o que já foi comprovado ter sido bem menos. “Na realidade, a contagem na época incluiu outras cidades que não faziam parte da bacia do rio Tubarão e até alguns dados duplicados”, explica.
Segundo Irmoto, em toda a bacia do rio Tubarão foram 111 mortos oficialmente, sendo 78 em Tubarão. Considerado até hoje como um dos grandes responsáveis pela recuperação da cidade após o acontecimento, o autor relembra em seu livro “Tuba-Nharô: O Pai Feroz” tudo o que ele, como prefeito, e os moradores sentiram naquele dia 24 de março de 1974, data que está marcada para sempre na memória da cidade.
“Não só vivi na pele cada segundo daqueles dias fatídicos, como, para escrever o livro, fiz inúmeras pesquisas, inclusive com dados buscados em registros de cartórios”, pontua.