Especialistas alertam para necessidade de ampliar vagas em UTIs
Com o retorno de algumas atividades, de forma gradual, na próxima semana, a preocupação de profissionais da saúde gira em torno da realidade da situação, principalmente com o reduzido número de leitos de UTI para toda a região: 50. A quantidade de casos suspeitos sem confirmação pela falta de testes também é outra questão a ser levada em conta.
Para o diretor-presidente da Fundação Municipal de Saúde de Tubarão, Daisson Trevisol, o ideal seriam pelo menos mais 15 dias de quarentena, e a cada semana a situação ser avaliada. “Estamos bastante preocupados com a questão da saúde, apesar de que a questão econômica também seja preocupante, mas acredito que tudo precisaria ser melhor avaliado com o tempo para ir tomando as decisões”, pontua.
Segundo Daisson, é preciso liberar aos poucos, sempre com os devidos cuidados necessários, como evitar aglomerações, respeitar a distância mínima de dois metros entre as pessoas, fazer a higienização correta com álcool em gel, entre outros.
A comissão de monitoramento do Covid-19, composta por profissionais ligados à área da saúde de Tubarão, entre elas Daisson Trevisol, os diretores da Socimed, Hospital Nossa Senhora da Conceição, Pró-Vida e Unimed, demonstrou, por meio de um manifesto, contendo dados comprovados, o motivo da preocupação e da necessidade de se manter a quarentena e o retorno muito gradativo às atividades. “Dentre as medidas mais efetivas mostradas pelos estudos científicos está o confinamento da população, que, sem dúvida, gera impactos econômicos, mas que nós, como gestores e profissionais de saúde, defendemos como medida que irá evitar o colapso dos sistemas hospitalares, poupando muitas vidas”, alegaram.
“Hoje, em Tubarão, há 50 leitos de UTI. Devido à história natural da doença, o tempo de permanência é estimado entre 15 e 21 dias, a depender de vários fatores do paciente e sua evolução clínica. Portanto, se o adoecimento da população for simultâneo, obviamente não será possível atender todos os que necessitarem de cuidados médicos”, pontua o manifesto feito pela comissão.
“A interrupção abrupta do confinamento atual, sem que os sistemas de saúde estejam preparados para atender a essa epidemia, coloca em risco a vida de milhares de pessoas. Por isso, defendemos a manutenção da quarentena, sendo que devemos analisar esta decisão ao final de cada período. O número de casos notificados está muito abaixo da realidade, pela ausência de testes diagnósticos, o que não revela a magnitude do problema”, conclui o texto.
De acordo com Daisson, o pedido ainda é para que as pessoas fiquem em casa, saiam somente quando for necessário e continuem tomando todos os cuidados necessários de higiene.
Reunião da Amurel
Nesta segunda-feira, os prefeitos da Amurel fazem uma reunião em teleconferência para discutir os próximos passos a serem dados em relação ao retorno às atividades. De acordo com o prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli, a princípio será acatada a decisão estadual, principalmente no que diz respeito à abertura dos bancos e lotéricas nesta segunda-feira. “Vamos ter uma reunião entre os prefeitos da Amurel para deliberarmos sobre o assunto, e depois também vou me reunir com minha equipe da Saúde. Só então teremos uma decisão dos próximos passos, alinhados com todas as questões pertinentes entre todos os municípios”, diz. Em Florianópolis, o prefeito Gean Loureiro manteve a quarentena até o dia 8 de abril, mesmo após o decreto do governo do Estado liberando setores da economia a partir do dia 1º.