Autoridades da área da saúde chamam atenção para a vacinação. Além das quatro confirmações, há mais dois suspeitos
O terceiro caso de sarampo em Tubarão foi confirmado pela Fundação Municipal de Saúde e pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) de Santa Catarina. Durante entrevista coletiva, na sexta-feira, foi confirmado também que há outros dois casos suspeitos da doença na cidade. Na Amurel, já são quatro episódios confirmados. O primeiro aconteceu em Imbituba.
Todos os casos confirmados são de pessoas adultas. Nos dois primeiros, a doença foi contraída fora de Tubarão, durante viagem para outras regiões do país. O último foi contraído na própria Cidade Azul. O primeiro foi confirmado na quinta-feira, e os outros dois, na sexta-feira.
O cenário de alerta já é considerado há cerca de um ano, quando a vigilância do município e a 19ª Gerência Regional de Saúde de Tubarão iniciaram um trabalho de monitoramento. A primeira providência das autoridades médicas, diante da situação, é alertar a população para a necessidade de vacinação, único meio de prevenção.
“Em dezembro do ano passado, já falávamos dessa possibilidade. A nossa preocupação é que a campanha de vacinação não tenha atingido a meta que gostaríamos. Então, quanto menor a cobertura maior é chance de termos a ocorrência da doença. O último caso confirmado e os outros dois suspeitos em análise foram contraídos aqui, em Tubarão. Isso quer dizer que houve falha na vacinação”, diz a enfermeira da Dive Helena Caetano.
O diretor-presidente da Fundação Municipal de Saúde, Daisson Trevisol, reforça que toda estrutura de saúde está mobilizada para a questão da vacinação. “Esse caso de sarampo adquirido em Tubarão nos deixa em alerta, principalmente para que seja tomada uma atitude de divulgar mais a campanha de vacinação. As pessoas devem procurar a sala de vacinação. Importante ressaltar que temos ainda dois suspeitos, e tudo isso são situações que nos
preocupam. É uma questão de saúde pública, pois em alguns municípios do Estado há proliferação da doença, e temos a preocupação de que isso possa acontecer também em Tubarão”, completa.
Daisson alerta que quem não consegue se imunizar nas UBS nos horários comerciais, a Policlínica Central tem a sala de vacina, situada na rua Antônio Delpizzo Júnior, que atende todos os tubaronenses até as 22h, com distribuição de senha até as 21h.
Tratamento
Os sintomas iniciais que podem ser apresentados são: manchas avermelhadas na pele, que começam no rosto e progridem em direção aos pés; febre; tosse; mal-estar; conjuntivite; coriza; perda do apetite; manchas brancas na parte interna das bochechas. Por se tratar de uma doença viral e autolimitada, não existe tratamento específico, variando de acordo com os sintomas que o paciente possui, para aliviá-los. Para os casos sem complicação, é importante manter a pessoa hidratada, com suporte nutricional, e diminuir a hipertermia. As complicações que podem acontecer, como diarreia, pneumonia e otite média, devem ser tratadas de acordo com normas e procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Vítima conta como descobriu a doença
Um dos três casos confirmados em Tubarão foi de um jovem que contraiu a doença de uma pessoa infectada que trouxe o vírus de fora da cidade. O jovem, que preferiu não revelar o nome, lembra que os primeiros sintomas começaram a aparecer sete dias após o contato. “Comecei a ter febre. Procurei um médico e me medicaram para gripe”, fala o jovem.
No 10º dia, sem os sintomas cessarem, ele voltou ao médico e teve um novo diagnóstico: amigdalite. No dia seguinte, não houve melhora. No 12º dia, num domingo, começaram a surgir as primeiras manchas pelo corpo. “Neste momento, me toquei que desde o primeiro sintoma já estava infectado com sarampo”, desabafa.
Foi então que, no 13º dia, numa segunda-feira, procurou um posto de saúde, falou das manchas e foi isolado pela equipe de saúde. “Todos da minha família foram imunizados. Amanhã (neste sábado) acaba meu isolamento, e estarei liberado”, diz o jovem, que lembra que havia feito a vacina contra a doença quando criança.
O sarampo é uma doença viral infecciosa e de fácil contágio entre as pessoas. Tem sua transmissão por secreções das vias respiratórias, como gotículas eliminadas através do espirro ou pela tosse. O período de incubação, que é o tempo entre o primeiro contato com o vírus e o aparecimento dos sintomas, é de cerca de 12 dias. Porém, a transmissão pode ocorrer antes de aparecerem os sintomas.