Na Amurel, apenas 12,5% dos candidatos à majoritária são mulheres
A conquista do direito de votar e ser votada foi apenas o início de uma luta pela ampliação de espaços para as mulheres. No entanto, em qualquer aspecto avaliado, a conclusão é sempre a mesma: houve ganhos, mas em ritmo muito inferior ao desejado. Avaliando-se o resultado das eleições nos últimos 30 anos, constata-se um lentíssimo crescimento da participação das mulheres na política partidária.
Este ano, na Amurel, 1.378 candidatos disputarão a preferência dos eleitores nos 18 municípios de abrangência. São 60 postulantes a prefeitos, 60 a vice-prefeitos e 1.258 a vereadores. Deste total, 450 são mulheres - cinco candidatas a prefeitas, dez a vice e 435 a vereadoras.
De acordo com o portal Sul Agora, Imbituba destaca-se neste cenário. Três das cinco chapas registradas no Tribunal Superior Eleitoral são encabeçadas por mulheres: Adriana de Valgas David Maria (PSL), Michela da Silva Freitas (PSDB) e Tânia Regina Ferreira dos Santos (PT). As outras duas candidatas a prefeitas são Jeanine Ferreira dos Anjos (Republicanos), de Jaguaruna, e Leonete Back Loffi (PSD), de São Martinho.
Para vice, as mulheres estão na disputa em Capivari de Baixo - professora Márcia Roberg (Progressistas) e Maria Vilma Heleodoro Luiz (PT); Imaruí - professora Nazle Maria Corrêa Firmino (PSB); Jaguaruna - Vanilda Siqueira Rebelo (PT); Laguna - Tanara Cidade de Souza (PT); Pescaria Brava - Adriana Maria Jonck (PSDB); Sangão - Janete Maria de Souza (MDB); São Ludgero - Janna Gabriella Gonçalves Alves Ribeiro (Progressistas); Treze de Maio - professora Júlia Formentin Corrêa (PT); e Tubarão - missionária Cleusa Rodrigues (PSL).
Armazém, Braço do Norte, Grão-Pará, Gravatal, Pedras Grandes, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima não têm nenhuma mulher disputando a majoritária.
Para o consultor político Laércio Menegaz Júnior, de Tubarão, estes números, ainda que baixos, já começam a indicar um crescimento na representatividade feminina. “As mulheres estão ganhando espaço e os partidos não estão mais buscando candidatas laranjas. Ainda está longe do ideal, mas o aumento de número de candidaturas passou de 35% no país, pela primeira vez na história. Na Amurel, é o maior número de candidatas de todas as eleições. Eu defendo que 30% das vagas teriam que ser de mulheres eleitas, para corrigir um erro histórico”, avalia.
Conquistas femininas
Neste ano, comemoram-se 86 anos de conquista do voto feminino no país. E 23 anos da Lei de Cota Eleitoral, que determinou 30% das candidaturas dos partidos ou coligações para cada sexo em eleições proporcionais. Em 2018, 30 anos do nascimento da Constituição Cidadã, foram eleitas 77 deputadas federais, maior número da história, ampliando de 11% a 15% a presença feminina no Congresso. O número de jovens, negras, pobres e LGBTs aumentou significativamente. As mulheres são 52% da população, 52,5% do eleitorado e quase metade das filiadas a partidos políticos, mas são menos de 15% dos representantes.