Apaixonada pelo ser humano, Talita Menegali Izidoro exerce o que ela chama de amor: ser médica. Especialista em clínica médica, Talita atua desde o início da pandemia da covid-19, na linha de frente, no atendimento a pacientes do posto de saúde do bairro Morrotes, em Tubarão.
Talita conta que no início da pandemia foi muito difícil a adaptação do que estaria por vir e como os profissionais de saúde teriam que se portar diante da situação. “Ao mesmo tempo em que tivemos medo, tivemos muita coragem. Creio que, por mais que o medo faça parte de todos nós, a generosidade falou mais alto. Fazer o bem faz parte da socialização do ser humano. Não há ônus. Apenas bônus em ajudar o próximo. Criar redes de colaboração e solidariedade foram condições necessárias para o enfrentamento no início e até hoje da pandemia”, relata a médica, que atua na profissão há nove anos.
A profissional da saúde relembra que muitos profissionais ficavam exaustos ao fim do expediente. “Mas a força em equipe e um dando apoio ao outro, fez toda a diferença. Atuar em frente a esta pandemia nos traz várias reflexões, não só profissionalmente, mas pessoalmente também. Vamos mudar? Sim, e muito. Acredito que seremos melhores. Estamos aqui, firmes e fortes, para continuar na luta”, diz Talita.
Para ela, o pior da situação enfrentada diante do vírus são as perdas. “Nos deixou entristecidos. Porém, também teve muitas vitórias e superação. É isso que nos impulsiona a continuar. Afinal, ser médico é pensar no outro, é lutar pelo paciente, não é só aliviar a dor, vai muito além”, revela a médica, que também é professora no curso de Medicina da Unisul.
Pandemia trouxe mudança e surpresa
Talita conta que em meio a tantas adversidades impostas pela pandemia, além do distanciamento das pessoas, isolamento, a situação que é vivenciada atualmente com o coronavírus trouxe algumas mudanças em sua vida. “Aprendi a amar mais, aproveitar mais os momentos, estar mais com minha família e ter fé. A minha rotina familiar também mudou, mas não deixamos de seguir. Nesta pandemia, a principal mudança foi uma gestação tão desejada e planejada. Estou de 14 semanas e muito feliz, e continuo atuando normalmente com os devidos cuidados. E, em meio aos caos, há sempre algo positivo que nos faz crescer”, destaca a médica.
Além da pandemia da covid-19, Talita diz que, quando acadêmica de Medicina, presenciou a H1N1. “Mas nada comparado à dimensão desta pandemia”, fala.
Segundo Talita, que no domingo comemora o Dia do Médico, atuar nesta área é como se ela tivesse sido escolhida pela própria profissão. “Em meio a tantas complexidades de cada paciente, é possível extrair histórias maravilhosas e cheias de emoção, sendo um desafio diário. É algo que vem de dentro, algo feito com amor, felicidade”, afirma a médica.
Daiane Fernandes