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Mãe aponta caso de preconceito

02/06/2023 06:00

Um ato de preconceito acabou se transformando numa verdadeira rede de apoio e solidariedade. Assim pode ser traduzida a história ocorrida com o pequeno Yuri Maximiano Miguel, nove anos, de Tubarão.


O menino tem síndrome de Down e recentemente foi acusado por duas mães de alunas da Escola Estadual de Educação Básica Martinho Alves dos Santos, no bairro São Martinho, onde estuda, de importunação sexual. O motivo: ele abaixou a calça na hora do recreio em frente aos coleguinhas. De outro lado, os outros pais, tanto da escola quanto de fora dela, estão dando todo apoio à criança e sua família.


O que poderia ter sido considerado um ato inocente vindo de uma criança, ainda mais com síndrome de Down, tomou proporções maiores, segundo a mãe do menino, Maiane Frederico Maximiano. Ela relatou que todo o transtorno foi gerado a partir da atitude do filho.


“Na hora todas as crianças acharam graça da situação. Inclusive ele. Foi uma atitude inocente vista com olhos preconceituosos”, pontua. Por estar tão desesperada com o desenrolar que a história vem tendo por conta da ação de algumas mães, Maiane chegou a divulgar um vídeo nas redes sociais contanto o caso e fazendo um desabafo.


Maiane conta que tudo ocorreu no dia 18 de maio. “No mesmo dia, logo após o menino ter abaixado a calça na hora do intervalo, a direção da escola me ligou informando o ocorrido. Na mesma hora, pedi que a direção avisasse os pais das outras crianças para que eles ficassem cientes. Mas não deu nem tempo. À tarde, algumas mães já foram à escola exigir providências, entre elas que meu filho deveria sair da escola, que o lugar dele não era lá, e sim na Apae”, diz.  


De lá para cá, a vida de Maiane e de sua família virou de cabeça para baixo, tentando reverter o quadro que estas mães pintaram. “O Yuri chegou a faltar uma semana inteira de aula, porque eu quis protegê-lo. Agora ele voltou a ir e, logo que estas mães souberam que ele havia voltado, foram novamente pressionar a escola para que tomasse alguma atitude. Tentaram até fazer uma abaixo-assinado”, relata.


“Fui até o Creas (Centro de Referência em Assistência Social), onde fui informada que havia a denúncia de importunação sexual por parte do meu filho. Como assim? Ele é uma criança de nove anos, com síndrome de Down. Não teve nenhuma intenção sexual em seu ato, até porque, além de ter apenas nove anos, sua idade neurológica é de quatro anos. Por conta disso tudo, até fiz um boletim de ocorrência contra o preconceito que meu filho está vivendo”, ressalta a mãe.


Apoio vindo de todos os lados

“Gravei o vídeo em desespero de mãe, porque estamos passando por dias muito difíceis. E o assunto é preconceito. Não da escola, mas de alguns pais. Meu filho faz terapia, tem acompanhamento com neuropediatra, psicólogo, psiquiatra, mas ele é uma criança. E tem o direito, garantido por lei, de frequentar a escola como qualquer outra criança”, pontua Maiane. Mas, em meio a toda a turbulência e sofrimento, a mãe de Yuri diz que o carinho e apoio que vem recebendo, tanto por parte da escola como do Creas e, principalmente de outros pais, tem ajudado a família a superar este momento tão difícil. “Recebi mais de mil mensagens, de pessoas que nem conheço, me apoiando. Os pais e a escola também estão me apoiando. Isso está nos ajudando a superar e ter mais força”, agradece.


Menino sempre frequentou a escola

Yuri  também frequenta a Apae e, junto dela, a escola regular. Estuda na Martinho Alves dos Santos há três anos - onde cursa o quarto ano -, e a mãe afirma que ele nunca sofreu qualquer preconceito. Até agora.


“É comprovado cientificamente que uma criança com síndrome de Down pode ter um desenvolvimento muito melhor em contato com outras crianças ditas ‘normais’ e frequentando ensino regular. Ele faz as duas coisas. Tem ajuda de um professor que o acompanha e já solicitamos um professor exclusivo. Não vou tirar este direito dele por preconceito”.


A Redação do DS procurou a direção da escola, mas a diretora não estava e nem retornou a ligação. A assistente de direção disse que ela não poderia se manifestar a respeito.

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