Seminário abordou temas fundamentais a pessoas com Síndrome de Down
Estimativas indicam que, em Santa Catarina, cerca de 3% das pessoas com deficiência têm síndrome de Down. Em nível nacional, estudos apontam uma incidência de um caso a cada 700 nascimentos. Apesar dos desafios, histórias de protagonismo mostram que a condição não é impedimento para a autonomia e a realização pessoal.
Aos 24 anos, Ramon Meister é um exemplo disso. Ele é blogueiro e influenciador digital, com mais de 73 mil seguidores no Instagram. Com conteúdo leve e bem-humorado, compartilha seu cotidiano e conquista o público com seu estilo descontraído. Ao lado do pai, Marcos Meister, Ramon esteve presente no 11º Seminário sobre Síndrome de Down: Construindo Conexões e Superando a Solidão, realizado ontem na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Promovido pela Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência, com apoio da Escola do Legislativo, o evento reuniu mais de 400 participantes, entre especialistas, representantes das Apaes de todo o Estado, familiares e ativistas.
Para o deputado José Milton Scheffer, o seminário já se consolidou como referência no Estado no debate sobre políticas públicas e conscientização. “Nenhuma pessoa com síndrome de Down pode ser invisível. Precisamos garantir inclusão, respeito, voz e oportunidades. A solidão que queremos combater é a ausência de políticas públicas”, afirmou.
“Onde há inclusão, não há espaço para a solidão. Cada pessoa com síndrome de Down tem um papel importante na sociedade”, completou.
A vice-presidente da Federação das Apaes, Janice Krasniak, destacou o papel do encontro na promoção de conexões. “Aqui, as pessoas com síndrome de Down constroem relações e superam a solidão. É um espaço de troca de experiências e de boas práticas.”
Solidão
O diretor de projetos das Associações de Síndrome de Down, Marco Antônio Costa, chamou atenção para um desafio contemporâneo: a solidão social. Tema reforçado por Marcos Meister, pai de Ramon. “Hoje, há uma valorização excessiva das relações virtuais em detrimento das presenciais. O grande desafio é evitar o isolamento”, afirmou. Para ele, eventos como o seminário são fundamentais para promover conexões reais. “O que queremos, como pais, é que eles estejam felizes, inseridos e acolhidos em seus círculos sociais.”
A presidente da Federação Catarinense de Educação Especial, Jeane Rauh Probst Leite, reconheceu os avanços do Estado, mas apontou lacunas. “Santa Catarina evoluiu muito na inclusão, mas ainda enfrenta desafios, como a ausência de residências inclusivas. Por isso, encontros como este são essenciais para avançarmos”, concluiu.