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Lembranças vivas de quem sentiu na pele

Os irmãos mostram onde a água atingiu a casa, que existe até hoje

22/03/2024 06:00|Atualizada em 25/03/2024 00:00|Por Redação

Ele tinha apenas 13 anos quando a enchente de 74 atingiu Tubarão, mas a memória, 50 anos depois, se mantém viva como se os cheiros e barulhos daqueles dias e noites ainda existissem. O tubaronense José Antônio Lúcio morava com a família em uma casa na rua Luiz Martins Collaço – e lembra, junto de duas das suas irmãs, Geusa, na época com 16 anos, e Helena, com dez – que moram na mesma casa até hoje -, aqueles momentos difíceis e inesquecíveis.

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Na época, moravam ao todo dez pessoas – os pais e oito filhos. José, Geusa e Helena lembram exatamente de cada instante desde que as águas começaram a invadir as ruas. “Estávamos dormindo já, e fomos acordados pelos bombeiros nos mandando sair de casa. Eram barulhos de sirene, de animais, tudo muito intenso. Saímos com água pela cintura, segurando por uma corda que tinha bombeiros em cada ponta, para nos manter em segurança, pois a correnteza era muito forte. As crianças menores iam nas costas dos bombeiros”, contam.

Os irmãos lembram que durante a tarde os pais já haviam começado a guardar na parte de cima da casa, embaixo do telhado, documentos e outros pertences. Mas roupas e móveis foram todos perdidos.

A família foi inteira para o Lar da Menina, que ficava quase em frente à casa deles. “De lá, olhávamos pela janela e víamos a nossa casa e dos nossos vizinhos embaixo da água. Era muito triste.

A casa do meu tio ficou praticamente submersa, na mesma rua”, contam.

Eles também lembram do racionamento de comida. “Passamos dias no abrigo comendo só arroz. Não havia comida. Quando foi possível abrir a porta do mercado próximo, os homens foram até lá pegar mantimentos. Lembro até hoje de virem com latas de abacaxi em calda e, antes de abrirem, fizeram apenas um furo na lata e passavam para cada um tomar um pouco do líquido. Isso tudo ficou marcado até hoje”, comentam.

Outra lembrança marcante foi a volta para casa. “Nossa casa e a de todos era cheia de lama. O cheiro do lodo é vivo até hoje, parece que não saiu. Lembro de pegar nossas roupas, meu pai fazendo um varal enorme, penduramos e fomos lavando com mangueira para tentar salvar alguma coisa”.

Hoje, a cada suspeita de cheia do rio, a tensão toma conta e tudo volta à memória, segundo os irmãos. “Esperamos que nunca mais ninguém passe por essa tragédia”, ressaltam.

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