O jovem Luiz Feltrin, de 23 anos, natural de Rio Belo, em Orleans, fez uma escolha bastante inusitada ao ir para Kiev, capital da Ucrânia, para fazer turismo. Morando em Londres, na Inglaterra, há três anos, o jovem disse que queria ver os impactos de uma guerra.
Para a aventura, pegou um avião na capital inglesa, voou por três horas até a Polônia e, de lá, seguiu de ônibus por mais 17 horas até chegar na capital ucraniana. “No ônibus, apenas eu e o motorista éramos homens, o restante eram mulheres e crianças e todos ucranianos”, explicou Luiz em reportagem especial do Sul In Foco.
Ao chegar em Kiev, o orleanense conta que não foi possível ver homens em idade militar e a comunicação também era bastante difícil. “Não vi nenhum turista, somente eu. Tinham muitas mulheres, idosos e crianças e quase ninguém fala inglês”, diz Luiz.
Segundo o orleanense, em Kiev, ele viu alguns prédios que foram atingidos. “Mas bem pouco. No interior é possível ver os estragos da guerra, prédios bombardeados, casas abandonadas, trincheiras feitas pelos soldados, bloqueios. Um cenário apocalíptico”, conta.
Luiz andou por Kiev e arredores de táxi e disse que a vida, pelo menos na capital, segue quase que normalmente. “Dá para sentir a tristeza da população, um clima pesado. Algumas lojas estão fechadas, mas os hotéis funcionam, os restaurantes, é possível ver que eles são meio que obrigados a seguir, a guerra já começou há mais de um ano”, afirmou. “Também é possível ver bloqueios em rodovias e muitos militares fortemente armados”, acrescenta o jovem.
Depois de “turistar” em meio à guerra, o orleanense chegou em Londres nessa semana e ficou sabendo que, logo após sua saída, um míssil russo caiu sobre Kiev. “Não sei o que exatamente foi. Eu sei que poderia ter sido onde eu estava, mas consegui ver pessoalmente o que uma guerra causa à sua população”, conclui Luiz.
Sobre o confronto
O marco inicial da guerra entre Ucrânia e Rússia ocorreu no dia 24 de fevereiro de 2022, com a invasão russa ao território ucraniano. Por meio de ataques terrestres e aéreos, a Rússia deu início ao que chamou de “operação militar especial”. As tensões entre os dois países, no entanto, vêm de longa data. Desde a sua independência na década de 1990, a Ucrânia busca aproximações com nações ocidentais, como a entrada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar formada por 30 países. Esses movimentos descontentaram a Rússia. Em 2022, o avanço da Otan no Leste europeu foi usado como justificativa para um novo ataque russo.