Aos 93 anos, o anestesista aposentado escreve livros, realiza exposições fotográficas e divide histórias com leitores do DS
Médico anestesista durante 60 anos, escritor de 25 livros publicados, fotógrafo com 22 exposições realizadas no Brasil e no exterior, membro da Academia Tubaronense de Letras e colunista do Diário do Sul há mais de duas décadas, além de diversos prêmios e reconhecimentos, José Warmuth Teixeira, de Tubarão, continua fazendo, aos 93 anos, o que sempre mais gostou: criar.
A literatura entrou oficialmente em sua vida em 1997, quando publicou Memórias de um Anestesista do Interior. Desde então, nunca mais parou. Vieram livros de memórias, poesia, contos, literatura infantil, fotografia, história, viagens, medicina e até basquetebol. Atualmente, trabalha em mais duas obras: uma versão em francês de Warmuth por Escrito – Crônicas e Contos (que reúne uma coletânea de textos originalmente publicados no DS), prevista para 2027, e Aconteceu na Floresta, voltado às crianças.
Quando questionado sobre onde encontra inspiração para escrever, a resposta vem com a simplicidade que só a sabedoria proporciona: “De tudo interessante em que participo ou tomo conhecimento”.
A mesma curiosidade acompanha sua paixão pela fotografia. Amante da natureza e de diferentes temas, já realizou 22 exposições com imagens de sua autoria em cidades como Tubarão, Florianópolis, Rio de Janeiro e Quito, no Equador.
As viagens também ajudaram a ampliar esse olhar. Entre tantos destinos visitados, guarda com carinho a experiência de conhecer o Egito, especialmente o Grande Museu Egípcio, o tesouro de Tutancâmon, a Esfinge e as pirâmides de Gizé.
Mesmo aposentado da medicina, Warmuth mantém uma rotina ativa. Faz fisioterapia, continua escrevendo livros, produz fotografias e participa das atividades do dia a dia com o apoio de cuidadores-enfermeiros.
Propósito
Outra paixão que segue firme é o Diário do Sul. Sua primeira crônica foi publicada em abril de 2001, com o título O Próximo. Desde então, estima ter escrito cerca de 1,3 mil colunas, acompanhando e dividindo reflexões com os leitores ao longo de 25 anos.
Ao falar aos jovens que desejam seguir a medicina e a literatura, ele incentiva ambos os caminhos. Para Warmuth, as duas áreas exigem dedicação e estudo, mas podem caminhar juntas. “Ambas são atividades dignificantes. A medicina abre a “porta” para a literatura sobre assuntos médicos, exigindo estudo, o que é muito importante na sua prática”, pontua. E quando perguntado se existe alguma relação entre a medicina, a literatura e a arte, a resposta é a síntese de uma vida inteira. “A prática da medicina, assim como a da literatura e da arte, enobrece a alma”.
Legado na medicina, nos livros, na fotografia e no Museu Ferroviário
Nascido em 18 de março de 1933, no Rio de Janeiro, José Warmuth Teixeira formou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Em 1960, mudou-se para Tubarão, cidade que escolheu para construir sua carreira como médico anestesiologista, formar sua família e na qual consolidou sua atuação nas áreas da literatura, da fotografia e da preservação da memória regional.
Além da medicina, Warmuth é membro da Academia Tubaronense de Letras e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Também presidiu o Museu Ferroviário, unindo outra de suas grandes paixões: a história da Ferrovia Tereza Cristina.
O interesse pela ferrovia resultou em obras como Ferrovia Tereza Cristina – Uma viagem ao desenvolvimento e Ferrovia Tereza Cristina – Ontem e Hoje, publicações que ajudam a preservar a memória de um dos principais símbolos do desenvolvimento do Sul catarinense. Ainda dedicou livros ao Hospital Nossa Senhora da Conceição e ao próprio Museu Ferroviário de Tubarão, reforçando seu compromisso em registrar a história das instituições que marcaram a região.