Tubarão vive um fato inédito em sua história política. Pela primeira vez, prefeito e vice renunciaram ao cargo. Joares Ponticelli (Progressitas) e Caio Tokarski (União Brasil), investigados na Operação Mensageiro, oficializaram ontem a renúncia na Câmara de Vereadores através de uma carta, recebida pelo presidente da Casa, Jairo Cascaes.
Joares ficou preso por 135 dias no Presídio Santa Augusta, em Criciúma, de onde saiu há menos de duas semanas em liberdade com restrições – uso de tornozeleira eletrônica, proibição de entrar na prefeitura e ter contato com servidores, testemunhas e envolvidos na operação, entre outros. Já Caio segue preso no mesmo presídio.
A carta de renúncia pegou todos de surpresa. Jairo Cascaes disse, em coletiva de imprensa, que ficou sabendo apenas na noite de domingo, quando recebeu uma ligação dos advogados dos agora ex-prefeito e ex-vice-prefeito. “Na conversa que tive com eles, para minha surpresa, me apresentaram a carta-renúncia do cargo de prefeito e vice”, conta. “Coube a mim chamar, pela manhã, os demais vereadores para uma reunião e comuniquei sobre a carta”, completa.
Com a renúncia, os processos penais de ambos passam a tramitar em primeira instância. Isso ocorre porque eles perdem o foro privilegiado.
Cartas trazem teor sobre trajetória e a busca para provar inocência
Na carta em que comunicou aos vereadores a sua renúncia do mandato de prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli (PP) reafirmou que se empenhará em comprovar a sua inocência e agradeceu o apoio recebido desde a sua prisão, em fevereiro. Ele foi libertado na semana passada e cumpre medidas cautelares.
Joares inicia a carta falando de sua trajetória política, iniciada “há exatos 26 anos, seis meses e nove dias”, quando ele diz ter se apresentado na Casa Legislativa “para assumir o honroso cargo de vereador deste município que havia me acolhido no fim dos anos 80. Iniciava-se ali uma nova trajetória na minha vida”.
O agora ex-prefeito segue falando sobre os quatro mandatos de deputado estadual, citando ainda quando chegou, em 2010, à presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e governou o Estado por dez dias.
Em 2016, ele foi eleito prefeito de Tubarão. “Duas semanas depois da vitória, mais um desafio: reconstruir a cidade devastada pelo terrível e destruidor vendaval de 16 de outubro”, pontua na carta. Ele e Caio assumiram o mandato em 2017. Em 2020, eles foram reeleitos para o segundo mandato, que seguiram até 14 de fevereiro deste ano, quando foram presos na Operação Mensageiro.
“Por tudo isso, com o coração partido por ter que tomar tão difícil decisão, renuncio ao honroso mandato de prefeito municipal de Tubarão”, finaliza, falando que espera provar a inocência e mostrar que não desonrou a confiança depositada nele “ao longo destes 27 anos de vida pública”, conclui.
A carta-renúncia de Caio Tokarski foi mais sucinta e ele fala sobre os acontecimentos dos últimos meses onde, “junto com outros agentes públicos e políticos, tive meu nome associado a litigâncias jurídicas, das quais vêm expondo, atrapalhando e mudando a falta prioritária do nosso município”.
Ele também agradece aos tubaronenses pelos 15 anos de mandato, entre vereador e vice-prefeito, e fala também que o momento pede dedicação à sua recuperação física e mental e atenção à sua família e à sua defesa. Caio segue preso no Presídio Santa Augusta.
Diário pode virar livro
Ainda na carta-renúncia, Joares Ponticelli diz que tem muito a falar e “o farei no tempo certo, pois escrevi um diário relatando tudo o que vivi e senti nos meus 135 dias de cárcere, que publicaremos e debateremos, especialmente nas faculdades de direito e afins, quando esse processo terminar”, afirma.
Prefeito interino segue no cargo até a realização da eleição indireta
A prefeitura de Tubarão emitiu nota oficial ontem em que afirma que o prefeito interino, Gelson Bento, diante do pedido de renúncia de Joares Ponticelli e Caio Tokarski, “passa a acompanhar com atenção todos os desdobramentos do fato, na Câmara, onde ocorrem os devidos trâmites”.
Gelson diz ainda, por nota, que, enquanto prefeito em exercício do município de Tubarão, segue no comando das ações do Executivo, até que a Câmara, decida legalmente por um sucessor. Reitera que o papel do Executivo neste momento é apenas de acompanhamento, cabendo ao Legislativo ordenar o processo de eleição de um novo prefeito.
Ao DS, o prefeito interino disse ainda não haver uma decisão tomada sobre concorrer ou não ao cargo de prefeito, nas eleições indiretas que serão realizadas.
“Tudo ainda será analisado, inclusive, dentro do partido. Vamos acompanhar todos os ritos e, se for de entendimento conjunto, poderei colocar meu nome à disposição para concorrer. Mas, como disse, ainda há muito a ser analisado”, diz.