De acordo com a Fiesc, reformas e controle fiscal condicionam crescimento em 2021
A indústria de Santa Catarina puxou a retomada da economia em 2020, principalmente a partir de agosto. De acordo com o presidente da Federação das Indústrias (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, o setor catarinense liderou a retomada do emprego. As vagas fechadas de março a maio foram recuperadas no período de junho a outubro.
Ainda conforme o presidente, no acumulado do ano até outubro o setor de transformação e a construção civil registraram saldo positivo de 33,6 mil vagas. “A resiliência do industrial catarinense e as medidas governamentais permitiram uma recuperação muito mais rápida do que se esperava no início da pandemia”, afirma Mario Cezar.
Ele ressalta que a recuperação ocorre em diferentes velocidades entre os setores, mas, no geral, a indústria apresenta taxas de crescimento maiores do que as demais atividades. Dados do Observatório Fiesc mostram o elevado nível de confiança do industrial catarinense, que alcançou 66,5 pontos em novembro (a média do país foi 62,9 pontos) e a maior intenção de investir da série histórica, com 74 pontos em setembro contra 59,3 pontos da média nacional.
O faturamento é outro indicador que apresenta setores com recuperação, como é o caso de alimentos e bebidas, que cresceu 23,4% de janeiro a outubro na comparação com o acumulado de 2019, conforme dados da secretaria da Fazenda. No mesmo período, outras atividades registraram expansão, como equipamentos elétricos (17,8%), madeira e móveis (7,3%), celulose e papel (7,9%) e fármacos e equipamentos de saúde (33,6%).
“A análise mostra que, como consequência das medidas de isolamento social, o padrão de consumo da população brasileira mudou. Aumentaram as compras de alimentos e bebidas, e isso refletiu nas vendas deste setor, que registrou o melhor desempenho entre os avaliados. Com a população passando mais tempo em casa, também cresceu o mercado de itens como eletrodomésticos e móveis e madeira”, diz o presidente.
Conforme Mario Cezar, para 2021, apesar de a indústria caminhar para a recuperação das perdas por conta da pandemia, há desafios no horizonte que exigem cautela para manter o nível de crescimento, “como o controle do endividamento público, o reequilíbrio do fornecimento de insumos, as reformas estruturantes, o fim do auxílio emergencial e a demora para a chegada da vacina”, observa o presidente.