As fortes chuvas que atingiram a região desde sexta-feira, com várias localidades registrando alagamentos e a iminência de uma enchente no rio Tubarão, fizeram despertar nas pessoas novamente todo o espírito de solidariedade já tão conhecido na cidade, que se mobilizaram a ajudar quem precisava. Um dos casos que chamou a atenção foi do casal Gean de Bom da Silva e Fabiana Meister, proprietários do Hotel Sandrini, na Guarda.
No sábado, quando a região onde se localiza o hotel amargava com a inundação, eles abriram as portas do estabelecimento para abrigar quem precisou sair de casa. Tudo gratuito, fornecendo ainda a alimentação. De sábado para domingo, eles abrigaram 15 pessoas. Ontem, ainda haviam duas – mãe e filha - no local.
De acordo com Fabiana, que ainda se emociona com a situação, a ideia surgiu do marido, Gean, que também é presidente da Associação Empresarial de Tubarão (Acit). “Ele havia sido chamado para uma reunião com a Defesa Civil sobre a situação da cidade. No caminho de volta para casa, ele viu a situação alarmante e conversou comigo para abrigarmos os moradores das localidades vizinhas que necessitassem sair de suas casas. Não pensei duas vezes e, sem nem saber como daríamos conta da demanda, passamos a divulgar para que as pessoas que precisassem viessem até o hotel”, lembra.
Como, por conta da possibilidade de enchente, o casal havia dispensado todos os funcionários do hotel para irem para suas casas em segurança, apenas Gean, Fabiana e o filho deles, André Luiz, de 11 anos, se dividiram nos afazeres para atender os desalojados que foram para lá.
“Não poderia deixar nossos funcionários longe de suas casas, que eram locais seguros também, e longe de suas famílias em uma possível enchente e, claro, liberamos todos para ir para casa. Na hora a gente só pensa em ajudar. É empatia. Se estávamos em segurança e podíamos fazer algo de bom para outras pessoas que necessitavam, daríamos um jeito. E foi o que fizemos. Ainda estou com um nó na garganta ao lembrar da angústia daquelas pessoas que podiam perder tudo, mas que, pelo menos, as vidas estavam resguardadas”, se emociona.
Moradores do Km 60 e Km 63, da Guarda e do São João ficaram no hotel e só no domingo, quando sabiam que não havia mais risco em suas casas, decidiram retornar para os seus lares. Fabiana diz que agora, passada a tensão, se sente “com o coração quentinho por poder ajudar. Se cada um que puder, fizer um pouco, as coisas mudam e a vida fica melhor”, conclui.
Micheline Zim