Sexta-feira, 26 de junho de 2026
Fechar [x]

Fibra de bananeira vira arte em Tubarão

Moradora da Guarda Margem Esquerda, Rosinete Mendonça preserva técnicas artesanais aprendidas ainda na infância

12/05/2026 06:00|Por Redação

A artesã Rosinete Mendonça Marcos Damásio, moradora da comunidade da Guarda Margem Esquerda, em Tubarão, encontrou nas fibras naturais uma forma de preservar tradições familiares e transformar elementos da natureza em arte. Trabalhando com artesanato desde os 18 anos, ela produz peças utilizando principalmente fibra de bananeira e palha de milho.

O contato com o artesanato começou ainda na infância, observando o trabalho realizado pelo pai dentro de casa.

“Meu pai fazia balaios, jiqui, cofo e outras peças artesanais. Eu cresci vendo tudo isso e aprendendo aos poucos. Ele me ensinou a tramar, a trabalhar com bambu e cipó e também a importância de respeitar o tempo certo da natureza. Lembro dele dizendo que a fibra precisava ser colhida na lua minguante para não bichar”, relembra.

Segundo Rosinete, o aproveitamento da bananeira sempre fez parte da rotina da família. Enquanto a banana era consumida de diferentes formas, o tronco e as fibras passaram a ser utilizados no artesanato.

“Depois que se colhe o cacho, aproveito o tronco para extrair as fibras. Elas são secas, separadas e transformadas em fios ou usadas nas tramas. Procuro manter a cor natural porque acho importante mostrar a beleza do material como ele é”, explica.

Tradição   

Atualmente, Rosinete produz balaios, cestos, bolsas, sousplats, enfeites e biojoias feitas com fibras naturais. Entre as peças, uma das mais especiais é o cesto rendado “Sete Sempre Viva”, inspirado nas lembranças da infância.

“Essa peça me leva para o passado, porque perto da minha casa tinha muitos pés de Sempre Viva. É uma memória que ficou comigo e que transformei em artesanato”, conta.


 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar das dificuldades enfrentadas para valorizar o trabalho artesanal, Rosinete afirma que segue produzindo por amor ao que faz.

“Muitas vezes precisamos explicar todo o processo para as pessoas entenderem o valor das peças. Mesmo assim, continuo fazendo porque amo o artesanato e acredito que ele carrega a nossa história”, afirma.

O trabalho da artesã já esteve em exposição no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro, e segue sendo apresentado em feiras da região. Para ela, valorizar o artesanato local também é preservar a cultura e as tradições passadas entre gerações.“Quando as pessoas valorizam o artesanato, elas também valorizam a história e tudo aquilo que veio antes de nós”, conclui.

Quer receber notícias de Tubarão e região? Clique aqui.
Diário do Sul
Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR