Moradora da Guarda Margem Esquerda, Rosinete Mendonça preserva técnicas artesanais aprendidas ainda na infância
A artesã Rosinete Mendonça Marcos Damásio, moradora da comunidade da Guarda Margem Esquerda, em Tubarão, encontrou nas fibras naturais uma forma de preservar tradições familiares e transformar elementos da natureza em arte. Trabalhando com artesanato desde os 18 anos, ela produz peças utilizando principalmente fibra de bananeira e palha de milho.
O contato com o artesanato começou ainda na infância, observando o trabalho realizado pelo pai dentro de casa.
“Meu pai fazia balaios, jiqui, cofo e outras peças artesanais. Eu cresci vendo tudo isso e aprendendo aos poucos. Ele me ensinou a tramar, a trabalhar com bambu e cipó e também a importância de respeitar o tempo certo da natureza. Lembro dele dizendo que a fibra precisava ser colhida na lua minguante para não bichar”, relembra.
Segundo Rosinete, o aproveitamento da bananeira sempre fez parte da rotina da família. Enquanto a banana era consumida de diferentes formas, o tronco e as fibras passaram a ser utilizados no artesanato.
“Depois que se colhe o cacho, aproveito o tronco para extrair as fibras. Elas são secas, separadas e transformadas em fios ou usadas nas tramas. Procuro manter a cor natural porque acho importante mostrar a beleza do material como ele é”, explica.
Tradição
Atualmente, Rosinete produz balaios, cestos, bolsas, sousplats, enfeites e biojoias feitas com fibras naturais. Entre as peças, uma das mais especiais é o cesto rendado “Sete Sempre Viva”, inspirado nas lembranças da infância.
“Essa peça me leva para o passado, porque perto da minha casa tinha muitos pés de Sempre Viva. É uma memória que ficou comigo e que transformei em artesanato”, conta.
Apesar das dificuldades enfrentadas para valorizar o trabalho artesanal, Rosinete afirma que segue produzindo por amor ao que faz.
“Muitas vezes precisamos explicar todo o processo para as pessoas entenderem o valor das peças. Mesmo assim, continuo fazendo porque amo o artesanato e acredito que ele carrega a nossa história”, afirma.
O trabalho da artesã já esteve em exposição no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro, e segue sendo apresentado em feiras da região. Para ela, valorizar o artesanato local também é preservar a cultura e as tradições passadas entre gerações.“Quando as pessoas valorizam o artesanato, elas também valorizam a história e tudo aquilo que veio antes de nós”, conclui.