Com base nas próprias experiências, o pai encontra no diálogo a principal ferramenta para orientar os filhos
Com o Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quinta-feira, o educador físico Leonardo Aguiar Correa compartilha como suas experiências de racismo na infância influenciam a forma como educa os filhos. Ele lembra que, quando criança, abaixava a cabeça diante dos comentários ofensivos sobre sua cor.
Essas marcas do passado levaram ele e a esposa, Greice Teixeira, a adotarem uma educação baseada no diálogo, no conhecimento e em valores sólidos. “Acolhemos primeiro, porque sabemos a dor que é. Depois explicamos que as falas das pessoas dizem sobre elas, não sobre nós”, conta.
Mesmo com essa preparação, ambos os filhos já enfrentaram episódios de preconceito. Ele critica a falta de preparo das escolas. “É onde geralmente acontece a primeira discriminação, e muitas vezes é tratada como algo pequeno”.
O esporte, presente em sua família há gerações, também é ferramenta central. “O esporte promove autoconfiança, união e respeito. Ensina resiliência e cria vínculos. Procuro transmitir isso aos meus filhos”, afirma. A rotina familiar é marcada por afeto. “Colocar eles na cama e ouvir um ‘eu te amo, pai’ é algo que quero manter para sempre. O diálogo constante cria confiança e respeito”, ressalta.
Ele sabe que não é possível blindar totalmente as crianças do racismo, mas acredita na preparação. “A luta é com o cérebro, não com os punhos. Ensinar o certo é não aceitar nada menos que o correto”, finaliza.