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Família adota educação domiciliar

03/06/2020 06:00

Há quatro anos a família Teixeira, de Jaguaruna, vivencia a educação domiciliar. Pais de três filhos, o casal Sílvio e Endil Teixeira conta que a experiência só traz benefícios. Se antes da pandemia do coronavírus o nome “homeschooling” era pouco conhecido, hoje o assunto se tornou realidade também para a maioria dos lares do mundo.


Sílvio conta que a ideia de educar os filhos em casa foi conhecida em 2016, por meio de uma amiga. “Nosso filho mais velho tinha seis anos e cursava o pré-escolar. Minha esposa estava grávida do segundo filho. Na época, percebemos o interesse do nosso filho pelo aprendizado e começamos a alfabetizá-lo pelo método fônico, no contraturno escolar. Nesse período, começamos a estudar sobre os métodos de ensino domiciliar, conhecemos mais famílias educadoras, observamos os benefícios e como se adequaria à nossa realidade. Quando, enfim, decidimos por ensinar nossos filhos em casa”, relembra o pai.


De acordo com Sílvio, o filho mais velho (Sílvio Filho, de nove anos) tornou-se um autodidata com o método utilizado. “Ele acorda cedo e realiza boa parte dos estudos, deixando o que não entendeu ou assuntos que requerem mais explicações e pesquisas para fazermos juntos no decorrer do dia. Já com o Mateus, de três anos, estão sendo realizados exercícios de pré-alfabetização e matemática. Aqui em casa também temos muita leitura em voz alta, em família”, descreve o pai.


Da rotina da família, Sílvio completa que há horários fixos para acordar, dormir e fazer refeições. “No meio desses horários ocorrem os ensinos formais. O aprendizado ocorre ao longo de todo o dia”, relata. Endil é que fica responsável pelo currículo e por elaborar o plano de ensino anual. A partir disso, são comprados os materiais para exercícios, plataformas on-line, e também ocorre a produção de alguns materiais que são utilizados com os filhos.


Sobre a avaliação de conteúdo, que ocorre em ensino formal, por exemplo, Sílvio diz que o método é diferente no ensino domiciliar. “Nossa proposta é que eles estudem até que aprendam bem o conteúdo, para então passarmos para o próximo assunto. Estamos sempre relembrando e memorizando, para que não haja esquecimento”, analisa o pai.

 

Esforço e ensino individualizado

Questionado sobre possíveis dificuldades que possam existir no processo de aprendizado, Sílvio garante que não existem. “Na verdade, há muito trabalho duro, esforço, empenho e disposição. Os benefícios são inúmeros, as crianças realmente aprendem, têm um ensino individualizado, de acordo com suas capacidades. A educação domiciliar é um direito fundamental. A família possui o direito de exercer essa modalidade de ensino sem discriminações e preconceitos. É de suma importância que a sociedade compreenda o desejo das famílias educadoras e as apoiem. Não é uma obrigação praticar a educação domiciliar, mas uma escolha de cada família”, completa Sílvio.

 

Comissão acata projeto que regulamenta ensino realizado em casa

Por maioria de votos, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) acatou, ontem,  o projeto de lei complementar (PLC) 3/2019 que visa incluir na legislação estadual a previsão da educação domiciliar, modalidade na qual os próprios pais ficam encarregados de prover o ensino dos filhos, que ficam desobrigados de comparecer à escola.


O autor da matéria, deputado Bruno Souza (Novo), argumenta que o homeschooling, como também é conhecido, é adotado em diversos países como uma alternativa à escola tradicional. “Nesse viés, o aluno tem em sua casa uma dedicação singular, com um plano de ensino personalizado, o que determina um maior aproveitamento e desenvolvimento de suas aptidões naturais”, diz.


Alunos com deficiência, segundo o parlamentar, também poderiam se beneficiar do ensino domiciliar, pois contariam com um ambiente mais adequado às suas necessidades. O projeto foi admitido com base no parecer favorável do deputado Kennedy Nunes (PSD). Já os deputados Ivan Naatz (PL) e Fabiano da Luz (PT) manifestaram-se pela rejeição do projeto, argumentando que a regulamentação da educação é de competência do Congresso Nacional.


Com a decisão, a proposta segue em análise nas comissões de Educação, Cultura e Desporto; e de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

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Daiane Fernandes

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