Suspeita é de que os animais tenham morrido após serem atingidos por embarcações
Após a suspeita de que os dois botos que morreram em Laguna nas últimas duas semanas podem ter sido atingidos por embarcações, já que as necropsias apontaram que os filhotes apresentavam fraturas, o professor Pedro Castillho, da Udesc, diz que os laudos indicaram trauma mecânico com morte instantânea, mas a interpretação de embarcações é possível, porém de difícil confirmação ou comprovação.
“O fato é que os botos morreram justamente após registros de atividade intensa de embarcações no complexo, e sobretudo filhotes, que são menos experientes, estão mais vulneráveis, já que motonautas, por exemplo, executam manobras imprevisíveis, o que pode potencializar incidentes”, avalia.
O professor afirma que se deve criar uma cultura de uso coletivo, bastando apenas respeitar a legislação vigente. “Se cumprirmos as regras, todos estão seguros e podem usar o complexo: botos, moradores e turistas. É necessário mais conscientização”, pontua.
“Trabalhamos com uma ideia de que a área de vida dos botos seja um local especial, com cuidados especiais, sem grandes proibições, mas com redução de impactos diretos. Isso pode ser feito aplicando o gerenciamento costeiro municipal e definindo o zoneamento do espaço aquático”, especifica.
Para o capitão Fernando Magoga, da Polícia Ambiental de Laguna, ainda é prematuro afirmar que a causa da morte foi por uma embarcação específica. Mas ele explica que em locais onde há mais presença dos botos pescadores existe regulamentação de velocidade máxima permitida, que não pode ultrapassar cinco nós (aproximadamente 10km/h).
“Trabalhamos bastante com campanhas de conscientização para alertar sobre os cuidados a serem tomados durante a navegação, para que todos vivam em harmonia, sem riscos ou danos”, comenta.
“É importante lembrar que as navegações não caracterizam crime ambiental, mas se alguma interferir diretamente nos animais ou estiver fora da regulamentação poderá, sim, ser penalizada”, completa.
Cuidados redobrados
O Instituto do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (IMA), em parceria com as demais instituições que integram o Plano de Ação Estadual para Conservação do boto-pescador, orienta os usuários de equipamentos náuticos, como lanchas e jet skis, que evitem circular pelo complexo lagunar Santo Antônio dos Anjos-Imaruí-Mirim, e pelo Canal da Barra. Quando for necessário passar, os pilotos devem redobrar a atenção e obedecer a velocidade limite.