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Educação é ferramenta contra preconceitos

18/11/2022 06:00

Consciência negra é a conscientização do preto na sociedade, do reconhecimento do valor da cultura, da luta das pessoas que não se calaram e levantaram a cabeça cont ra o racismo. A educação é o principal meio para levar conhecimento e minimizar preconceitos. E foi esse caminho que a tubaronense Christiane Martins Matias aprendeu, ainda criança, em uma família que sempre militou pela causa.


A mulher que Christiane se tornou, hoje diretora da Escola de Educação Básica Faustina da Luz Patrício e coordenadora da Pastoral Afro Brasileira Maria Cândida, se conecta a tudo que ela aprendeu em casa, ainda pequena. Ao ser questionada sobre o Dia da Consciência Negra, lembrado no próximo domingo, foi a esse período que ela se remeteu.


“Não se trabalhava a cultura afro. Não tinha toda essa atenção midiática e esse poder. Sempre fomos minoria. E não é legal estar só no ambiente escolar, na faculdade. Não se perceber nos livros, na literatura. A escola não me representava. Mas, em casa, minha família sempre foi militante das causas afro. Minha avó materna Normélia de Souza Martins, que teve 13 filhas e três filhos, sempre ensinou que precisávamos passar por um processo de ascensão e empodeiramento. Isso só seria possível através da discussão e da educação. Por isso, ela sempre incentivou a busca pela formação”, relembra Christiane.  


O resgate da cultura começou, para ela, quando a Igreja Católica, a qual participa, abriu espaço para a Pastoral Afro Brasileira. “No início eram crianças envolvidas apenas com a dança afro brasileira, mas, com o tempo e a discussão, veio o reconhecimento, o buscar espaço nessa história que o livro não contava. Não é só questão de publicidade. O ganho veio com duras penas”, conta.


A luta não pode ser só pelas minorias. “A busca é pela diversidade, por todos que têm direitos negados. Mas, infelizmente, os negros são maioria. É uma responsabilidade social. Eu acredito muito na educação. Não só pelo meu filho, mas por todos os alunos, para todo mundo. Não podemos impor, mas, nesse lugar, propor discussões, provocações, trabalhar e estudar juntos”, acredita.


De acordo com Christiane, as pessoas atualmente têm mais vontade de entender. “Mas não basta só vontade, tem que ter alguém provocando, trazendo estudos, criando formação e parcerias. A gente só respeita o que conhece. É preciso educar e educar. E isso vai servir para qualquer situação. Uma escola tem que ir além dos muros e pensar grande”, aponta, após ponderar que também houve retrocessos. “Ligar a televisão e ver que a bela Santa Catarina tem núcleos nazistas é um grande retrocesso. Essa cultura de ódio não pode existir. A palavra de ordem precisa ser respeito, sempre”, avalia Christiane.


Se na escola o foco é a educação, na pastoral é a religiosidade e o resgate da cultura. “Por muito tempo a religião foi negada. Hoje é possível trazer a igreja para a gente. Além disso, temos o trabalho social, que não pode ser só dar comida. As cotas, por exemplo, garantem o acesso à educação, mas não a permanência nas faculdades. Essa é a nossa meta e nosso trabalho, garantir a permanência”, frisa.


Momento de exaltar o protagonismo negro

Na quinta-feira, diante do Dia da Consciência Negra, um evento especial foi realizado na escola Faustina da Luz Patrício. Com a temática “Diversidade na educação: só tema bonito ou imprescindível?”, a tarde foi marcada por música, dança, literatura e muita discussão.


A oficial de gabinete da Fundação de Educação de Tubarão, Tatiane Vitório, foi surpreendida com uma homenagem pelo trabalho realizado. Ela é mãe de aluno e também atua pela causa. “Precisamos mostrar o protagonismo negro e o respeito ao outro. Ela é um bom exemplo”, acrescenta a diretora Christiane Martins Matias.


A rede municipal de ensino de Tubarão faz parte do projeto Diário do Sul Educação. As escolas recebem o jornal para ser trabalhado em sala de aula em atividades com os alunos. Depois, os estudantes levam a edição para casa, como forma de ampliar o acesso à informação e o incentivo à leitura.

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