Especialistas alertam sobre uso indiscriminado de substâncias que agravam
A recente morte do fisiculturista e influenciador fitness Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu o debate sobre doenças cardíacas silenciosas em jovens, atletas e praticantes de atividade física intensa.
O atestado de óbito do rapaz descreve o falecimento como morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica. Condição cardíaca que pode ser agravada por diferentes fatores, entre eles, o possível uso de anabolizantes, hipótese que vem sendo discutida no caso, além de outras informações preliminares que apontam para a suspeita de um quadro de hipoglicemia.
“O conceito de cardiomiopatia hipertrófica é o aumento da musculatura do coração, condição que dificulta o bombeamento sanguíneo e aumenta os riscos de arritmias graves e morte súbita. A doença pode ocorrer por fatores genéticos, hereditários ou por causas secundárias, como uso de hormônios para aumentar a musculatura corporal”, explica a cardiologista pediátrica do Complexo Médico Provida, Louise Cardoso Schweitzer.
“Este problema de saúde pode se manifestar em qualquer fase da vida, seja na infância ou mesmo na idade adulta, e é considerada uma das principais causas de morte súbita em jovens”, completa.
Anabolizantes
A médica alerta ainda que o uso de anabolizantes afeta o coração de várias formas. Além da miocardiopatia hipertrófica, também pode ocorrer o aumento da viscosidade sanguínea, causando mais propensão para infartos, coágulos, entre outros agravantes. “Os anabolizantes podem elevar a pressão arterial, favorecer alterações elétricas no coração, aumentar o espessamento do músculo cardíaco e potencializar quadros cardiovasculares já existentes”, ressalta.
O diagnóstico costuma ser realizado por meio de avaliação clínica, histórico familiar, eletrocardiograma, ecocardiograma e, em alguns casos, ressonância cardíaca e outros. Para a cardiologista, a prevenção passa por acompanhamento médico regular, especialmente entre jovens, atletas, fisiculturistas, praticantes de musculação de alta performance e pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas. “Dor no peito, desmaios, palpitações ou falta de ar durante atividades físicas nunca devem ser ignorados”, alerta.