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Dia do Trabalho e a atuação árdua da linha de frente

30/04/2021 06:00

Neste Dia do Trabalho, a atuação de profissionais da saúde na linha de frente da pandemia de covid-19 merece destaque pela dedicação com que enfrentam o dia a dia em um dos maiores problemas mundiais dos últimos tempos. Em Tubarão, o trabalho de duas mulheres da área de enfermagem do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) representa todo este setor imprescindível para o enfrentamento da doença, suas consequências e vitórias.


A enfermeira Flaviana de Souza Marques trabalha no HNSC desde 2004 e há um ano atua no setor que atende pacientes com covid-19. “Falar sobre meu trabalho hoje no hospital me emociona, porque sou uma pessoa que trabalha com amor pelo meus pacientes, que para mim são meus príncipes e princesas. Para nós, da área da saúde, este é o pior momento que estamos vivendo na nossa carreira profissional, e isso mexe muito com nosso psicológico, porque nos colocamos no lugar do paciente, das famílias. São filhos perdendo pais, pais perdendo filhos, e isso nos comove muito”, confessa.


Flaviana iniciou nos setores de covid-19 como enfermeira em março do ano passado, quando começou a pandemia. “Fazemos o nosso máximo. Meu horário atual é de nove horas diárias e não trabalho fim de semana, mas com a demanda atual vou trabalhar de puro coração para ajudar o próximo e dar cada vez mais o cuidado que precisam, porque o paciente não sabe o que pode acontecer. Pode internar bem e ter uma piora, fica sem ninguém da família por perto. E isso precisamos trabalhar também, com seus medos e angústias. Tenho muita fé em Deus e acredito que Ele está nos ajudando a todo momento”, pontua.


“Colocamos sempre em primeiro lugar o bem-estar do paciente e de suas famílias. É um momento difícil, mas profissionalmente estou me doando como nem eu imaginava que teria forças. E isso me motiva a fazer sempre com fé e amor”, revela. “É importante destacar todo o trabalho realizado em todo o hospital, o apoio de toda a direção para nosso dia a dia”, completa.

 

Pandemia deixou setor mais intenso

Para a técnica de enfermagem Elen da Borba Vicente, que atua há quatro anos na UTI do HNSC, a pandemia transformou o setor, que já era intenso, em algo muito mais tenso. É um vírus novo, há muita informação e desinformação. Precisamos nos adequar a vários protocolos de trabalho, tanto conosco como para com o paciente, já que o vírus atua diferentemente para cada um”, conta.


Elen relata que a rotina é pesada e estressante, pela instabilidade no quadro de saúde do paciente, “mas quando vemos que a luta teve um desfecho feliz, e conseguimos levá-lo para a alta, vem a sensação de dever cumprido”, completa.


Ela está no setor de covid-19 da UTI desde o início da pandemia e diz que, de todo o tempo que atua, os óbitos causados por esta doença têm sido os mais difíceis de lidar, porque o paciente acaba não podendo ter contato com ninguém da família. “E ao vermos a luta, o sofrimento dele, temos como papel também tentar confortar esta dor”, lamenta. “Viver esta pandemia me fez ver o quanto eu sou forte, capaz e o quanto eu amo fazer o que eu faço, mesmo num momento tão difícil”, revela. “Nós, da linha de frente, estamos lutando contra o  invisível. E o que mais nos dá tristeza é ainda ver pessoas sem consciência. Só a gente sabe o que estamos vivenciando nesta luta incessante”, conclui.

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