Marina de Albuquerque
Jornalista
Escrever um livro é sempre um desafio. Eu, particularmente, quando começo a escrever, só paro quando está chegando muito próximo ao término da história, e isso decorre por aproximadamente dois meses. Vou escrevendo freneticamente, parando para atividades básicas como comer, dormir, ou me atentar a afazeres domésticos e interações com a família, tirando isso estou sempre escrevendo.
No entanto, quando chego ao ápice do livro, sinto uma vontade de parar. Eu simplesmente não quero terminá-lo, algo me prende, uma sensação de que o final será doloroso, preciso ficar um tempo longe do livro para conseguir terminá-lo, e o último mês que corre sempre é para escrever, mais ou menos, umas vinte e cinco páginas, somente finalizando o livro, e levo mais uns dois meses somente revisando, em um trabalho minucioso.
Mas é uma delícia! Escrever te remete a infinitas possibilidades, abre uma janela na sua consciência. Você se redescobre, fica humilde em relação a sua vida, vê que todos os dias podem surgir aprendizados.
Escrever pode ser um desabafo, ou pode ser também a descoberta de que você é capaz de ajudar outros a enxergarem o óbvio, o que é muito comum de acontecer, como leitor, quando você tem acesso a um texto, um livro e se identifica. É como se você mesmo pudesse ter escrito aquilo, pois já pensou no assunto, mas não se arriscou a escrever.