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Costura atravessa gerações como trabalho

Atividade passada entre gerações se reinventa diante das mudanças

30/04/2026 06:00|Por Redação

No contexto das celebrações do Dia do Trabalhador, profissões tradicionais evidenciam trajetórias marcadas pela persistência, adaptação e vínculo familiar. Entre elas, a costura se destaca como um ofício que atravessa gerações e permanece relevante mesmo diante das transformações tecnológicas e da expansão da produção industrial.

A tubaronense Jandira da Silva Barbosa, conhecida por todos como Jane, construiu sua história profissional a partir de um aprendizado que começou ainda na infância, dentro de casa. “Comecei na costura com 7 anos, ajudando minha avó que costurava. Aprendi a fazer de tudo um pouco, foi um grande aprendizado”, relembra. O contato precoce com a atividade consolidou uma base que, mais tarde, se transformaria em sustento.

Na juventude, no entanto, a escolha profissional seguiu outro caminho. Ao buscar inserção no mercado de trabalho, optou pela área da saúde, formando-se em enfermagem e atuando em hospital. Ainda assim, a costura permaneceu presente, funcionando como complemento de renda. “Não sabia eu que já estava em uma profissão que eu gostava”, afirma.

A mudança decisiva ocorreu em 1994, em um momento delicado de sua vida pessoal. Ao ficar viúva e responsável pela criação da filha, então com 11 anos, precisou reorganizar prioridades. Foi nesse contexto que decidiu transformar a costura em sua principal atividade. “Foi quando optei por tornar a costura minha única profissão. Foi a melhor coisa que fiz na vida, tanto que estou até hoje”, destaca.

Ao longo da trajetória, Jane também prestou serviços para instituições da área da saúde, como a Pró-Vida e a Unimed, com as quais manteve vínculo profissional por cerca de 15 anos. 

Reinvenção

Atualmente, Jane segue realizando apenas alguns consertos pontuais para essas entidades, mantendo uma relação construída ao longo do tempo.   

Com o passar dos anos, a costura passou por transformações impulsionadas pelos avanços tecnológicos e pela presença crescente das grandes indústrias. Ainda assim, a profissional destaca que a capacidade de adaptação é fundamental para a continuidade no mercado. “É um aprendizado diário, sempre podemos melhorar e simplificar o trabalho na costura”, afirma.

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Entre fios e histórias: o valor social e afetivo 

Mais do que uma atividade produtiva, a costura se mantém como expressão cultural presente no cotidiano de muitas famílias. É um ofício que atravessa gerações, preservando saberes e práticas que vão além da confecção de roupas. Em um cenário de constantes transformações no mundo do trabalho, segue como alternativa de renda e também como espaço de autonomia e identidade.

Ao longo do tempo, a área acompanhou mudanças impulsionadas pelos avanços tecnológicos e pela expansão da indústria têxtil. 

Mesmo diante da produção em larga escala, o trabalho manual continua valorizado, principalmente pela personalização, pela qualidade e pelo contato direto com o cliente, diferenciais que permanecem relevantes. Como destaca a costureira, “é um aprendizado diário, sempre podemos melhorar e simplificar o trabalho na costura”.

Outro ponto importante é o caráter social desse trabalho. Em muitos casos, ele ultrapassa a lógica comercial e também se torna um meio de apoio à comunidade, atendendo diferentes públicos e necessidades. Esse vínculo próximo reforça o valor humano presente no dia a dia.

Além disso, a prática carrega um significado de continuidade. Ao ser ensinada dentro de casa, entre gerações, mantém vivas histórias, memórias e modos de fazer que se perpetuam ao longo dos anos.

A costura representa uma entre tantas ocupações tradicionais que seguem ativas e essenciais. Assim como ela, o trabalho do tubaronense e sapateiro Edvaldo Marcos (matéria na página ao lado) também atravessa gerações, preserva técnicas artesanais e se adapta às novas realidades, evidenciando que trabalhos manuais continuam tendo relevância e espaço na sociedade.

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