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Compaixão é destaque

28/09/2023 06:00

Para algumas pessoas, as “dores da alma” são criticadas e são apontadas como fraqueza, ócio e até mesmo falta de uma crença religiosa. O tema se torna ainda mais abrangente quando a situação chega ao extremo do suicídio.


Para lideranças de diversos segmentos religiosos da região, as doenças mentais que levam à extrema dor e vazio existencial precisam ser mais do que discutidas. Precisam de acolhimento, compaixão e amor. E quando se trata do suicídio, os entrevistados pelo Diário do Sul concordam: não deve haver julgamento.


“Nós, enquanto igreja, espelhados no exemplo de Jesus, não estamos aqui para julgar ninguém. Não vemos como um castigo. A vida é um dom e não podemos mensurar o quão enferma esta pessoa estava ao tomar essa atitude. É preciso, num momento como este, silenciar para acolher a realidade e rezar. Esta pessoa não será jamais um condenado, pois Deus conhece seu coração. Porém, reafirmo: estamos aqui de braços abertos para conversar, orientar e acolher quem precisa de ajuda, por mais difícil que seja. A vida é um presente”, fala o padre Auricélio Costa.


Para o teólogo, cientista político e pastor Carlos Costa, a sociedade precisa de um olhar de compaixão. “Vivenciamos momentos difíceis e complexos quando se trata da saúde mental. Não existe classe social ou idade que não sejam afetados. Enquanto igreja, celebramos a vida. Porém, também somos preparados para acolher e estender a nossa solidariedade em qualquer circunstância. Precisamos olhar com compaixão e não fazer julgamentos”, comenta o pastor.


Por muito tempo e,  ainda hoje, para algumas pessoas o suicídio se refletia muito sobre o fato de que quem comete o ato estaria condenado ao inferno. Atualmente, o pensamento é mais empático, sem haver julgamentos, segundo as lideranças ouvidas pelo DS.  Segundo estudiosos, a grande maioria dos casos de suicídio envolve pessoas com algum tipo de transtorno psiquiátrico na forma mais grave e, desses transtornos, o mais comum é a depressão.


“O nosso preceito religioso é em favor da vida, que não se encerra com o fim do corpo. Todo ser humano encarna e recebe o livre arbítrio. As decisões que toma são de sua consciência. Deixamos claro que o suicídio não acaba com a dor. Não temos o direito de tirar a vida do corpo físico. Mas, cada um tem sua decisão. Nós estamos prontos para acolher, ser escuta segura e juntos dar destaque de como a vida é uma preciosidade. O suicídio é uma triste ilusão porque somos seres imortais, e a vida continua, plena, além da morte do corpo físico”, fala o espírita Fernando Ferreira.

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Daiane Fernandes

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