Há dez anos, quando a jornalista e colunista do DS Renata Dal-Bó criou coragem para tirar suas crônicas da gaveta, a primeira pessoa a quem pensou pedir opinião foi à escritora Martha Medeiros, pois a considera a melhor cronista do país.
“Enviei um e-mail a ela, me apresentando, e anexei algumas crônicas que tinha escrito. Para minha surpresa, Martha me respondeu prontamente: você é uma iniciante já com pinta de veterana, deliciosos os seus textos, vá em frente e sem medo. Sucesso! Beijo da Martha”.
As palavras da celebrada escritora deram o empurrão que ela precisava para criar coragem e entrar em contato com os diretores do DS, Lúcio Flávio de Oliveira e Tomaz Viana de Albuquerque, para ver a possibilidade de ter uma coluna de crônicas no jornal. “Coincidentemente, o DS estava passando por uma reformulação gráfica e editorial e a ideia da coluna foi muito bem aceita pela equipe do DS. É claro que fiquei feliz, mas, ao mesmo tempo, assustada com o compromisso de escrever e publicar meus textos semanalmente”, lembra.
De lá para cá, a trajetória profissional e de vida de Renata mudou 180 graus. Ao completar três anos como cronista, resolveu partir para o sonho seguinte: em outubro de 2015, lançou “História, Sonhos e Imaginação”, uma coletânea de suas crônicas publicadas no DS.
“Em setembro de 2016, comecei a apresentar o programa ‘Bate-Papo Literário’ na UnitvSC, que tem como objetivo divulgar e valorizar a literatura e nossos escritores. Neste programa, realizei o sonho de entrevistar Martha Medeiros, minha musa inspiradora”, conta.
“Hoje, comemorando esses dez anos de coluna, com mais de 500 crônicas publicadas, vejo o quanto a escrita deu um outro sentido à minha vida. Mas, mais do que isto, fico realizada ao perceber que minhas histórias tocam a vida de outras pessoas. Por meio da literatura, tenho a oportunidade de divertir, emocionar, sensibilizar e, quem sabe, enriquecer o universo do meu leitor. A literatura me deu a chance de navegar por novos mundos, de criar, de transformar o ordinário da vida em extraordinário”, comemora.
Livros, academia, doutorado
Em dezembro de 2017, Renata tornou-se membro da Academia Tubaronense de Letras (Acatul), ocupando a cadeira 16 – Amadio Vitoretti. Para dar conta desses novos desafios, resolveu estudar para se aprimorar como escritora e começou um mestrado em Ciências da Linguagem pela UniSul. Em seguida, partiu para o doutorado. “Em setembro de 2018, tomei posse como presidente coordenadora da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – Coordenadoria Santa Catarina. Participar desta associação, que se dedica à escrita feminina, foi um divisor de águas na minha trajetória. A Ajeb-SC me abriu portas e me proporcionou criar laços afetivos e trocar experiências com escritoras de todo o Brasil. Nela, organizei duas coletâneas e participei de tantas outras. Em outubro do mesmo ano, lancei meu segundo livro ‘Para ti’, com crônicas memorialísticas sobre nossas viagens em família”, destaca.
No início deste ano, ela lançou o livro “Mulheres no Casamento – Representações do Teatro do Século XIX”. E em agosto lançará seu primeiro livro infantil, “Pingo, o cachorro feliz e medroso”, um novo desafio como escritora.