Cida Hoffmann/DS O boto conhecido como Batman ou Borrachinha, que fica nos Molhes, em Laguna, continua arrastando o que seria uma espécie de cabo de rede preso ao corpo. Agora um anzol também aparece preso a uma das nadadeiras.
No início da semana, o fotógrafo Ronaldo Amboni registrou o fato e publicou nas redes sociais, dizendo que o animal estava bastante agitado e exausto. Na sexta-feira, fotos de Cida Hoffmann começaram a circular, desta vez com o anzol aparecendo preso à nadadeira dorsal.
Logo após as publicações, no início da semana, o capitão Fernando Magoga, da Polícia Militar Ambiental (PMA) de Laguna, disse que as equipes foram ao local mas que havia a notícia de que o boto já havia se soltado sozinho.
“Na realidade, esta é uma operação bastante complicada. Nossa equipe, além de uma veterinária do Projeto de Monitoramento das Praias, estava estudando como resgatar o animal, que é o procedimento padrão, o da observação”, explicou.
Na sexta-feira, ele disse que ficou sabendo que o animal continuava com o artefato preso a ele, mas que ainda não era possível fazer nada, mas que outros órgãos responsáveis estavam fazendo o monitoramento.
O professor Pedro Castilhos, da Udesc de Laguna, diz que está sendo feita uma articulação envolvendo Polícia Ambiental, ICMBio, Instituto do Meio Ambiente e Flama, além da Udesc, para se chegar ao procedimento correto e eficaz para resolver esta situação.
“No momento, estamos na fase do monitoramento. Precisamos seguir todo um protocolo, internacional, inclusive, de segurança tanto para o animal como para as pessoas, para que o problema não se torne maior do que já é”, comenta.
Pedro explica que não é possível fazer uma aproximação mais contundente com o animal neste momento, pois pode gerar um estresse ainda maior a ele”. Além disso, é preciso analisar a real situação, ver de que forma o anzol e a rede estão presos, se basta apenas tirar o artefato ou se há algo mais sério. Não adianta fazer algo sem toda esta análise, pois aí sim o problema pode se tornar mais grave”, pontua.
Análise comportamental
Segundo o professor, análises comportamentais do boto e de peso também estão sendo levadas em conta. “A princípio, ele está agindo normalmente, sem perda de massa corpórea ou inatividade. Desta forma, ele não está correndo risco de morrer e estamos trabalhando para resolver a situação da forma mais segura e eficaz”, completa. Ele enfatiza ainda que populares não devem tentar se aproximar do animal para tentar soltá-lo. “Não é seguro nem para as pessoas nem para o boto. É preciso saber a forma e o tempo de agir. Qualquer coisa fora do planejamento pode ter consequências graves. Ninguém deve se aproximar. Estamos monitorando e vamos agir da forma como tem que ser. As pessoas podem nos ajudar dando informações, mas não interferindo diretamente com o animal na água”, explica.