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Artigo: Recomposição das aprendizagens III

08/08/2022 06:00

Creches fechadas, no ano de 2020, para evitar a disseminação do vírus de Covid-19, causaram enormes prejuízos para o desenvolvimento das crianças, principalmente na autonomia, na motricidade e na fala. Mas proporcionaram maior interação e compreensão das famílias sobre os objetivos da educação infantil e a função dos professores, o que é fundamental para impulsionar o aprendizado.


James Heckman, Nobel da economia, em 2000, demonstrou que investimentos qualificados na primeira infância têm impacto em toda vida adulta e na sociedade, ao reduzir taxas de criminalidade e gravidez precoce e aumentar a conclusão do ensino médio, empregabilidade, trabalho e renda.


Portanto, os prejuízos causados pela pandemia precisam ser superados, e os ganhos, ampliados. Para isso, é necessário acrescentar e/ou intensificar nos planejamentos e aulas na educação infantil:


1. Acolher muito bem e escutar todas as famílias e crianças.

2. Informar as famílias, antes do início do ano letivo, sobre a importância da educação infantil (de acordo com a Base Nacional Comum Curricular), as formas de comunicação, o cumprimento das regras, os horários e os ‘combinados’ da sala de aula  para o desenvolvimento integral das crianças.

3. Enviar tarefas para casa com o objetivo de estimular a interação das famílias. Se não acontecer (interação), conversar imediatamente com os pais.

4. Orientar as famílias sobre a necessidade de continuarem, em casa, o que é ensinado na escola, principalmente quanto aos cuidados, rotinas, hábitos, inclusive alimentares, e palavras utilizadas.

5. Orientar, também, sobre a importância de proporcionarem para a criança estímulos positivos e um ambiente familiar saudável, de respeito entre as pessoas e sem qualquer estresse.

6. Registrar, diariamente, a frequência, o descumprimento de horário e a não realização de tarefas pelas crianças. Adotar providências, rapidamente, para resolver esses problemas.

7. Acionar, por meio da equipe multiprofissional, a rede  de proteção social do município, principalmente nos casos de abalo emocional das crianças.

8. Em caso de denúncias ou sinais de desleixo, negligência ou violência, acionar imediatamente as autoridades competentes.

9. Avaliar as crianças por meio de acompanhamento e registro do desenvolvimento, para identificar e superar lacunas.

10. Trabalhar, entre outras possibilidades, a ‘consciência fonêmica’, associando, em jogos divertidos, letras e sons, por meio da leitura de histórias para as crianças, trabalhando tanto a função social da leitura quanto a ampliação do vocabulário.

11. Oportunizar troca de experiência entre os professores com o objetivo de elaborar atividades que contribuem para as crianças desenvolverem os objetivos de aprendizagem e as habilidades previstas na BNCC.

12. Adequar as atividades para atender aos diferentes níveis de desenvolvimento das crianças numa mesma turma.

13. Valorizar e ampliar as experiências de cada criança como ponto de partida para introduzir o conhecimento escolar previsto na BNCC.

14. Acompanhar, permanentemente, todas as crianças, com o objetivo de mantê-las envolvidas nas atividades. Envolvê-las, rapidamente, quando dispersam.

15. Garantir que todas as atividades na escola tenham intencionalidade formativa.


Comprovadamente, esse é o investimento que supera a pobreza e impulsiona o desenvolvimento.

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