Maurício da silva
Presidente da Fundação Municipal de Educação
No último planejamento coletivo dos professores do ensino fundamental II, da rede municipal de Tubarão, reforçou-se a necessidade de melhorar o diagnóstico da aprendizagem de cada estudante, sem o qual, a recuperação, o reforço no contraturno e ajuda das famílias tornam-se inócuos. Para isso, é preciso utilizar, na íntegra, o instrumento de avaliação que consta do documento “Sucesso Na Escola, Na Vida e No Trabalho”:
1) “As questões descritivas devem representar maioria sobre as de assinalar”. Isso é muito importante por dois motivos: a) Desenvolve a habilidade da comunicação escrita (se aprende a escrever, escrevendo), crucial para a produção textual e comunicações da vida e do trabalho; b) Oportuniza que o professor acompanhe o raciocínio do estudante e saiba onde e por que errou. Sem saber isso, o professor pode (re) trabalhar, na recuperação ou no reforço do contraturno, etapas que o estudante venceu e não (re) trabalhar as que ainda não venceu. Neste caso, cumpriu a formalidade burocrática e legal, mas de nada serviu. Permanece a causa do erro e a dificuldade para aprendizagem aumentará com o avançar das aulas. Foi o caso do estudante, demonstrado no planejamento, que ao resolver uma equação do 1º grau errou a operação com números inteiros que é etapa anterior à equação do 1º grau. Se for retrabalhada, na recuperação ou no reforço, a equação do 1º grau, sem trabalhar a operação com números inteiros, o estudante vai continuar errando. Foi demonstrado, também, que os erros dos estudantes, na mesma questão, tinham motivos diferentes. O professor saberá estes diferentes motivos, para retrabalhá-los com êxito, somente se acompanhar, nas respostas das provas, o raciocínio de cada estudante, o que é impossível nas questões de assinalar. O mesmo ocorre com os repetidos erros de português, devido à pouca correção e retomada, em todas as disciplinas. Portanto, não basta saber se a resposta está certa (que pode ser por “chute”) ou errada. É preciso acompanhar o percurso feito pelo estudante para chegar no resultado. Possível, somente, nas questões descritivas;
2) Em decorrência, não basta que o professor, ao final da prova, assinale na “etapa ainda não vencida” dos conteúdos ou habilidades. É preciso - como mencionado acima e demonstrado no planejamento e no texto sobre “Recomposição das Aprendizagens” - que especifique (na “etapa ainda não vencida”), onde e por que o estudante errou;
3) Os objetivos de aprendizagem e as habilidades que o estudante venceu e os que ainda não venceu, precisam ser escritos, na prova, de forma que, também, os pais e estudantes compreendam. Isso orienta sobre o que precisa ser retomado e evita confusão como da mãe que reclamou ao ver nota 10 (dez) na prova do filho que não sabe ler e escrever. Ela tinha razão. Não ficou claro na prova que o estudante acertou tudo, mas, apenas, sobre “identificar palavras que começam com a letra F”.
São avanços para transformar tubaronenses, que precisam de ajuda, naqueles que podem ajudar.