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Artigo: Manifesto aos Tubaronenses

Por Márcio José Dal-Bó | Médico

10/03/2026 06:00|Por Márcio José Dal-Bó | Médico

Neste domingo foi inaugurado um novo deck na beira do Rio Tubarão, na região central da cidade. A obra ficou muito bonita e foi gratificante ver tantas pessoas ocupando o espaço: famílias, crianças, jovens e idosos reunidos no deck, no chafariz ao lado e na praça próxima. Iniciativas como essa mostram com clareza como a cidade ganha vida quando o poder público cria ambientes que convidam a população a ocupar os espaços urbanos. Trata-se, sem dúvida, de uma realização positiva da administração municipal, que merece reconhecimento.

Ao mesmo tempo, essa experiência nos lembra da importância de olhar com atenção para outras áreas da cidade que ainda carecem de cuidados semelhantes. Em diversos trechos da margem esquerda do rio — especialmente entre a ponte do Angeloni e a ponte do quartel, e entre a ponte do Centro e o Colégio Dehon — as condições para caminhar ou pedalar ainda são bastante precárias.

Entre o Angeloni e a ponte do quartel, por exemplo, em grande parte da extensão é difícil até mesmo transitar a pé. Há mato alto, lixo, trechos sem manutenção e infraestrutura deteriorada. Como consequência, a população acaba se afastando de um dos espaços mais simbólicos da cidade: o próprio rio que a atravessa e que faz parte de sua identidade.

Cidades do mundo inteiro compreenderam, há décadas, a importância de recuperar áreas públicas e aproximar a população de seus rios e parques. Isso ocorre em grandes centros como Nova Iorque, Paris e Londres, mas também em cidades brasileiras como Porto Alegre e Florianópolis. Mesmo cidades próximas, como Criciúma, ou menores, como Laguna, demonstram como investimentos contínuos em espaços públicos fortalecem a vida urbana, estimulam o convívio social, favorecem o turismo e geram renda.

Em Tubarão, temos um patrimônio natural evidente: o Rio Tubarão. No entanto, em muitos trechos de suas margens sequer conseguimos enxergá-lo devido ao mato alto e à falta de manutenção. As ciclovias e áreas de caminhada existentes poderiam ser muito mais utilizadas se estivessem cuidadas e integradas a um projeto urbano mais amplo.

 

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Talvez seja oportuno pensar em um planejamento mais abrangente e de longo prazo para as beiras do rio. A região do antigo aeroporto, por exemplo, por ser uma área pública, poderia gradualmente transformar-se em um grande parque urbano. Outras áreas próximas ao rio também poderiam receber melhorias progressivas, planejadas de forma responsável e financeiramente sustentável ao longo do tempo.

Este não é um manifesto de crítica, mas sobretudo de estímulo e reflexão. A iniciativa recente demonstra que é possível avançar. Que possamos seguir nesse caminho, com um olhar de continuidade que ultrapasse governos e correntes políticas, buscando tornar Tubarão uma cidade cada vez mais viva, acolhedora e bem cuidada para todos.

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