Maurício da Silva
Presidente da Fundação Municipal de Educação
Mensurar os gigantescos prejuízos causados pela pandemia de covid-19 na educação e adotar medidas adequadas para superá-los define o capital humano, ou seja, o futuro de municípios, estados e países.
Jovens fora da escola ou com aprendizado defasado ficarão distantes do mercado de trabalho, cada vez mais automatizado, ou no subemprego e na baixa renda. A sociedade perderá produtividade e pagará mais impostos para financiar a assistência destes jovens ou terá que conviver com a estagnação da economia, pobreza extrema, violência, etc.
A evasão escolar no Brasil, medida pelo Unicef, subiu de 1,4 milhão de estudantes, antes da pandemia, para 5,5 milhões. Na rede municipal de Tubarão baixou de 122 estudantes, em 2019 (antes da pandemia), para 37 que não devolveram atividades, em 2020 e, para quatro, em 2021, graças aos esforços da municipalidade, pais, alunos, professores, diretores de escolas e funcionários da Fundação de Educação. Uma rede de proteção foi articulada para reforçar o vínculo dos estudantes com a escola.
Sobre as imensas perdas na aprendizagem, o Brasil possui apenas estimativas. Tubarão possui o quantitativo (subiu de 30%, em 2019, para 40%, em 2021, os estudantes do ensino fundamental, no fim do primeiro bimestre, com média menor que sete em português e matemática) e busca o qualitativo por meio do À Prova Tubarão.
Trata-se de uma prova nos moldes do Pisa (Programa Internacional de Avaliação dos Alunos, instituído pela OCDE) e da Prova Brasil (instituída pelo Ministério da Educação e que gera Ideb) que avaliou, no início de agosto de 2021, os estudantes do 3º, 5º e 9º anos do ensino fundamental, nas disciplinas de português e matemática, e os do pré-escolar II, quanto ao desenvolvimento.
O objetivo é identificar fragilidades e potencialidades no ensino e na aprendizagem. Os resultados possibilitarão aperfeiçoar ações em curso, como os planejamentos coletivos, individuais e capacitação dos professores, reforço no contraturno, etc, para superar fragilidades e maximizar potencialidades detectadas. Possibilitarão, por exemplo, que professores elaborem planos de aula diferenciados, com o intuito de recuperar a aprendizagem conforme as defasagens de cada estudante.
A preparação de estudantes e professores para a prova também gera mais aprendizagem. Todos que competem nunca perdem. Ganham e aprendem ou aprendem. Para motivar, ainda mais, os professores que tiverem o maior número de alunos com média acima de 7 (sete) receberão um smartphone. Os estudantes receberão “pontuação” na média bimestral, proporcional às notas maiores que 7 (sete) que obtiverem no À Prova Tubarão.
Objetiva, enfim, que professores e estudantes introduzam nas práticas pedagógicas diárias as diretrizes (conteúdo e forma) dos certames internacionais e nacionais mencionados, incluindo as olimpíadas de português e de matemática.
Das dores e perdas causadas pela pandemia, revisamos processos e procedimentos para legar um novo e promissor futuro para esta e para as próximas gerações.