Maurício da Silva | Membro da Comissão organizadora dos Seminários
Neste dia 24 de março de 2026 faz 52 anos da inundação que destruiu a cidade de Tubarão, desabrigou 65 mil pessoas, ceifou a vida de 199 e causou prejuízos de 2 bilhões de dólares, segundo estudos do Prof. Müller, economista e ex-reitor da Unisul.
Para evitar nova catástrofe – o rio Tubarão e a Barra do Camacho estão assoreados, os eventos climáticos extremos estão cada vez mais frequentes e o adensamento populacional é bem maior – diversas entidades promovem seminários, em todos os 24 de março, desde 2008.
Tais seminários, em cumprimento da Lei Municipal Nº 3289/2009, estão ancorados em três eixos básicos:
a) Memória (esquecer uma tragédia apressa o seu retorno porque se relaxa nos preventivos);
b) Prevenção (sistemas de alerta, desassoreamento do rio Tubarão e da Barra do Camacho e outros constituem investimentos urgentes) e
c) Reação eficiente (se a prevenção for insuficiente, cada tubaronense deve saber para onde vai e como chegar lá – Plano de Contingências).
Graças aos seminários, o governo do estado investiu, em 2013, R$ 2,7 milhões nos projetos para redragar o rio.
Estes projetos continuam desatualizados, mesmo após diversas incursões junto às autoridades estaduais.
Ocorreu Audiência Pública na Assembleia Legislativa com todas as lideranças de Tubarão, bancada de deputados do Sul de Santa Catarina e quatro secretários do governo do estado (Casa Civil, Meio Ambiente, Proteção e Defesa Civil e Infraestrutura).
Reuniões posteriores com membros do governo do estado e requerimentos da Câmara de Vereadores de Tubarão. Técnicos do governo do estado participaram do “XV Seminário, 50 Anos da Enchente de 1974”. Abordaram os mencionados projetos, mas não estão concluídos.
Alude-se que o desassoreamento do rio é obra impossível porque custa 500 milhões de reais. De onde saíram estes números, se os estudos não foram concluídos e as necessidades não foram definidas? Se for 500 milhões de reais, é bem menos do que os 2 bilhões de dólares de 1974, sem contar as vidas perdidas, dramas e traumas dos sobreviventes e a reconstrução da cidade.
Tubarão já teve disponível, no governo federal, muito mais do que 500 milhões de reais para redragar o rio, mas não tinha os projetos.
O Projeto Santa Catarina Protegida e Resiliente, estruturado para financiamento do Banco Mundial (sc.gov.br – Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil – 21 de março de 2025), não menciona o município de Tubarão.
A enchente de 1974 e anteriores foram consideradas fatalidades porque haviam poucas informações naquelas épocas. No entanto, se acontecer novamente, não mais será considerada fatalidade, mas gravíssima e criminosa omissão, tantos são os alertas da ciência e do rio Tubarão (levou casas no KM 60 em 2022 e transbordou no Centro da cidade em 2023), tecnologias e recursos que permitem prevenção e redução de danos.