Pesquisa aponta que este é um dos principais desconfortos entre as crianças
A aparência do rosto é hoje o principal motivo de bullying entre estudantes brasileiros. É o que aponta a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do IBGE. Entre os alunos que sofreram bullying, 30,2% apontaram a aparência do rosto ou do cabelo como causa, seguida pela aparência do corpo (24,7%). No total, 27,2% dos estudantes relataram episódios recorrentes, número que cresceu em relação a 2019.
Para a ortodontista Cristina Teixeira, de Tubarão, esse dado revela um problema que muitas vezes começa na boca e termina no emocional. “Dentes desalinhados, mordida aberta ou projetada são facilmente notados pelas outras crianças. Quando isso vira motivo de chacota, o impacto na autoestima é imediato e, às vezes, dura a vida toda”, afirma.
É justamente nesse ponto que entra o Julho Laranja, campanha nacional de conscientização sobre a ortodontia preventiva na infância. Em 2026, a iniciativa ganhou um novo patamar: foi sancionada a lei que instituiu oficialmente a data no calendário nacional.
“O Julho Laranja não é sobre vaidade. É sobre dar à criança a chance de crescer respirando bem, mastigando bem e se sentindo bem consigo mesma. Prevenir uma má oclusão hoje é prevenir um problema de autoestima amanhã”, resume a ortodontista.
Conscientização
A norma volta-se à conscientização sobre a importância do exame ortodôntico anual em crianças de seis a 12 anos, faixa em que é possível identificar precocemente alterações no crescimento dos ossos da face e problemas de oclusão.
Para mais informações sobre saúde bucal infantil e ortodontia preventiva, acompanhe a dentista Cristina Teixeira no Instagram: @dra.cristeixeira

Julho Laranja é o mês de alerta à prevenção
O alerta da campanha contraria uma crença comum entre as famílias, a de que o ortodontista só deve ser procurado na adolescência. Os números mostram o tamanho da oportunidade perdida.
Em um levantamento da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial com 4.776 crianças de seis a 10 anos, apenas cerca de 15% apresentavam oclusão normal, ou seja, mais de oito em cada 10 tinham algum tipo de alteração. No mesmo estudo, verificou-se a possibilidade de intervenção ortodôntica preventiva em 72% das crianças avaliadas.
“Quando a criança chega aos 12 anos, muitos problemas de oclusão já se consolidaram e exigem tratamentos bem mais complexos. Avaliando cedo, conseguimos guiar o crescimento, evitar extrações e até cirurgias no futuro, e com um tratamento muito mais simples. O mês de julho foi escolhido justamente por coincidir com as férias escolares, o que facilita a ida das crianças ao consultório”, explica Cristina.
Além da estética
Os benefícios da avaliação precoce vão além do sorriso. A correção de problemas de oclusão melhora a mastigação, a respiração e a qualidade do sono, além de impactar diretamente o bem-estar psicológico, um dos pontos expressamente reconhecidos pela nova lei. Um estudo brasileiro com 815 adolescentes apontou que mais de 90% gostariam de corrigir os dentes para melhorar a aparência, evidência de como a saúde bucal e a autoimagem caminham juntas.