Amenizar a dor da saudade após uma perda brusca e sempre inesperada. Este é um dos objetivos dos estudantes de Jornalismo Milena Flor Tomé, de 22 anos, e Victor Bitencourt, de 25, ambos de Capivari de Baixo. Eles criaram o projeto Afetos, no qual, demonstrando, por meio de vídeos com depoimentos de quem perdeu alguém que amava vítima da covid-19, que por trás de números contabilizados diariamente estão pessoas que foram amadas.
“Começou a nos incomodar muito ver que os casos de pessoas contaminadas e, principalmente, de mortes pareciam ser só uma estatística, um número. E não, cada número ali representado era o amor de alguém, era uma pessoa com sua família, amigos e histórias”, diz Milena.
Milena e Victor, então, decidiram unir o amor ao Jornalismo à empatia, o que fez surgir o projeto. Os dois se conheciam até ontem apenas de forma on-line, mesmo sendo da mesma cidade. Mas como Milena foi morar em São Paulo, a amizade e a parceria começaram de forma virtual num primeiro momento. “Não conheci ninguém que teve um caso de morte pelo coronavírus, mas nos colocamos no lugar destas famílias e sentimos que ver em todos os lugares eles se tornando apenas números potencializava ainda mais a dor. Por isso resolvemos fazer este projeto, em quenos vídeos estes números ganham nomes, rostos, sentimentos”, conta.
Os vídeos são feitos em forma de entrevista virtual com familiares de pessoas que faleceram em decorrência da covid-19. “Eles contêm depoimentos, imagens, histórias e muita emoção. O mais gratificante foi perceber que estas pessoas que perderam seu ente querido viram no projeto uma forma de desabafar, de expor seus sentimentos. No final, muitos nos agradeceram”, pontua Milena.
Emoção e afeto à flor da pele
A ideia é fazer vídeos sobre as vítimas em todo o Estado, e eles seguem com as entrevistas. Eles são apresentados no canal do Youtube “Projeto Afetos” e também no Instagram “Afetos Projeto”. Também está no site do DS (www.diariodosul.com.br). Alguns já estão disponíveis, como o de Roberta Bernardo Borges Silvano, de 34 anos, de Braço do Norte, que perdeu o marido, Rafael, de 37 anos de idade. “Achei lindo, uma forma de mostrar que são vidas, amores e não apenas números. Uma forma de demonstrar todo nosso amor. Fico emocionada cada vez que vejo”, diz.