Com os olhos cheios de lágrimas, Rosane Floriano usou a expressão “é bom chorar de alegria” para definir o sentimento de colocar no peito a primeira medalha de Tubarão nos Parajasc deste ano.
Ao estrear na competição, fez bonito e foi a grande campeã dos 100 metros rasos no atletismo. A velocista, que teve o braço direito amputado aos sete meses de vida, após o berço em que estava ter pegado fogo, ainda conquistou mais duas medalhas de ouro nos 200 e 400 metros.
Todas as provas foram disputadas na classe T46, nesta que Evandro Faustina também pôde brilhar. Mesmo sem experiência, não subestimou o potencial em nenhum momento, cruzando a linha de chegada para ser o grande campeão dos 800 metros e terceiro colocado nos 400 metros. “Venci a mim mesmo”, comemora. Ele perdeu o braço esquerdo em um acidente de trabalho.
No atletismo, mais dois deficientes físicos superaram seus limites. O paratleta Júnior Freitas, vice-campeão no arremesso de peso e lançamento de dardo F37, obteve medalha de bronze no lançamento de disco F37; e Bianca Cruz foi medalha de prata nos 800 metros T37. Quando chegou a vez de quem compete quase – ou totalmente – às cegas, a Cidade Azul colocou mais três vitórias na conta.
Campeão do lançamento de disco, Tadeu Rech é autodidata, mas para colocar no peito a medalha de ouro precisou ter os ouvidos atentos à voz da treinadora Aline Crescêncio. “Eu o levo até dentro do setor e o posiciono. Depois, fico na frente dele e grito “nessa direção”. Assim, ele se localiza e lança”, explica a técnica. Outro destaque dentre os deficientes visuais foi Pedro Rogério, bronze nos 800 e 1500 metros FT13.
Superação de limites
O coordenador de eventos da Fundação Municipal de Esporte, André Luiz, que acompanhou de perto o esforço de cada tubaronense, revela a importância de incentivar cada vez mais o paradesporto da Cidade Azul. “Ver a superação de cada atleta é gratificante. Cada um está dando tudo de si para colocar nosso município no pódio. No final, o mais importante não são as medalhas, mas a vontade de superar seus limites. Isso que nos emociona”, relata.